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Por um 8 de março classista, contra a violência
O capitalismo precisa da opressão para lucrar mais. Por isso, a luta é o único meio para a igualdade e a independência

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Há exatos 100 anos, o 8 de março é o Dia Internacional da Mulher, segundo decisão de uma conferência na Dinamarca. Mas a data só foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975. Isso sem falar que sua origem, a luta de operárias de uma fábrica de tecidos em Nova Iorque, ocorreu em 1857. Ou seja, foi preciso que se passassem quase 120 anos para que a opressão da mulher fosse reconhecida.

Mesmo assim, ainda hoje as mulheres são vítimas de violência. Os casos são escandalosos e não deixam nada a dever ao que faziam nossos antepassados com suas esposas. Em janeiro, o país ficou estarrecido com as cenas gravadas pela câmera do salão da cabeleireira Maria Islaine de Morais, assassinada por Fábio Willian Silva Soares. A trabalhadora havia feito diversas queixas na delegacia contra o ex-marido, mas o Estado foi omisso, cúmplice do machismo.

Este caso foi mais chocante porque havia câmeras para registrar a brutalidade. No entanto, muitas outras mulheres são espancadas ou mortas diariamente. Trata-se de uma violência cotidiana. Em 2001, a Fundação Perseu Abramo divulgou que sete em cada dez mulheres mortas foram assassinadas pelos próprios maridos.

Isso sem falar em aspectos menos “graves”, mas importantes, como os salários menores que os dos homens, a falta de creches, a criminalização do aborto, o curto período da licença maternidade, o assédio no trabalho etc..

Por exemplo, o Brasil tem 84,5% de crianças de 0 a 3 anos fora da creche. Só na capital, são mais de 100 mil pais na fila para matricular os filhos em creches públicas. Enquanto a universalização desse serviço não acontece, as mulheres recusam trabalho para ficar em casa com as crianças, ou as deixam com vizinhos e parentes ou, o que é pior, sozinhas.

A opressão feminina é histórica e tem tudo a ver com o capitalismo. Esse sistema precisa explorar mais alguns trabalhadores para extrair mais lucro, como ocorre com os negros e as mulheres. Por isso, a luta é o único caminho para alcançar a igualdade e a independência da mulher.

Neste sentido, o Sindsef-SP vai distribuir flores nas unidades dos órgãos às servidoras, como fez em outros anos. Além disso, como não se deve apenas homenagear, mas conscientizar, também entregaremos uma cartilha da Conlutas sobre a questão da mulher trabalhadora e um material próprio do Sindicato.

No dia 6, sábado, o Sindicato participará da manifestação do Movimento Mulheres em Luta, da Conlutas, na Praça Oswaldo Cruz. Participe!


[04/03/2010]


 

Edição 106 - Fevereiro de 2010

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