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Nota de repúdio aos Governos responsáveis pela destruição do Museu Nacional

Não foi um acidente! A tragédia, anunciada, é o resultado de anos de descaso com a Ciência e Tecnologia, Educação e Cultura!

A diretoria do Sindsef-SP, repudia veementemente a negligência e o descaso dos sucessivos governos, que ignoraram os pedidos de socorro, emitidos muito antes do trágico incêndio que destruiu o Museu Nacional. Em poucas horas, o pesadelo, que há anos tirava o sono daqueles que denunciavam o desmonte do patrimônio público, virou uma aterrorizante realidade. <--break- />

Os culpados são os sucessivos governos que adotam uma política de redução de gastos, ano após ano, com o objetivo de economizar recursos públicos para o pagamento dos juros da dívida pública. 

O incêndio que transformou em pó o 5º maior acervo do mundo, e o maior da América Latina, não é uma tragédia isolada. É apenas a consequência do descaso e do abandono que se repete, em maior ou menor grau, por todo o serviço público. Falta de condições de trabalho e servidores expostos a condições insalubres já faz parte da rotina no serviço público. 

Os sucessivos governos, seja na esfera federal, estadual ou municipal, se empenham para aplicar a política de desmonte do setor público. Além disso, há uma campanha, vergonhosa, de desvalorização dos servidores públicos. 

Enquanto isso, permitem que a estrutura dos órgãos públicos e o acúmulo de conhecimentos adquiridos sejam explorados por grandes empresários sedentos de lucros. Ou, ainda, avançam contra os direitos dos trabalhadores liberando a terceirização irrestrita e aumentando assim a precarização das relações trabalhistas.

O museu completava, este ano, dois séculos de acúmulo em pesquisas, distribuído em um acervo contendo mais de 20 milhões de itens, alguns com cerca de 12 mil anos de existência. As labaredas avermelhadas que tingiram a noite de domingo, e que continuaram pela madrugada, representam um crime contra a humanidade. 

Vale ressaltar que, no caso especifico do Museu Nacional, um dos alertas foi dado em 2004, por um secretário do governo estadual, que afirmou: "O museu vai pegar fogo. São fiações expostas, mal conservadas, alas com infiltrações, uma situação de total irresponsabilidade com o patrimônio histórico". O diretor do museu à época, reconheceu os problemas existentes e argumentou que a crise já durava 40 anos e se agravou nas duas últimas décadas por causa do descaso e da demora de liberação de verbas. 

Segundo matéria da Agência Brasil, sobre a ameaça de incêndio, uma vistoria realizada no palácio em dezembro de 2003, constatou que as instalações elétricas do prédio eram inadequadas e que era urgente à implantação de um sistema de combate a incêndio. Ainda, segundo a notícia, o laudo foi encaminhado aos Ministérios da Educação, da Cultura e de Ciência e Tecnologia, que, na ocasião, prometeram uma verba de R$ 40 milhões para uma reforma no prédio. 

Mas, o que se viu, desde então, foi o crescimento da negligência. Ao invés de atender aos apelos dos profissionais da área, que apontavam seguidamente os problemas existentes, os sucessivos governos fizeram justamente o contrário. Reduziram sistematicamente os investimentos nos serviços públicos, coroando a barbárie com a aprovação da EC 95/2016, que congela os gastos púbicos por 20 anos. 

O orçamento destinado ao Museu Nacional em 2018 era de apenas 54 mil reais. O menor dos últimos 05 anos. O valor irrisório é insuficiente para a manutenção e conservação do edifício e do seu acervo. 

A entidade, que é ligada a Universidade Federal do Rio de Janeiro, completou 200 anos em junho. Apenas três meses depois tudo virou cinzas! Na manhã de hoje, com as chamas controladas, foi divulgado pelo diretor do museu, Alexander Kellner, que um meteoro, que é parte do acervo resistiu as chamas. Porém, ainda não é possível mensurar o tamanho da destruição deste incêndio. 

O Sindsef-SP se soma a este sentimento de profunda tristeza e indignação, mas também registra a necessidade da luta organizada para continuar a dar voz as denúncias de sucateamento do serviço público. Vamos canalizar todo a indignação para lutar em defesa do serviço e do servidor público. Nos solidarizamos com os servidores da Cultura, da Ciência & Tecnologia, que tem à frente da direção das entidades pessoas sem o menor comprometimento com a carreira ou com a valorização dos servidores e de um serviço público de qualidade.

A restauração do Museu Nacional é um passo importante neste processo de resistência e em defesa da preservação da memória do nosso país.

Entre as preciosidades da Biblioteca do Museu Nacional, uma das maiores da América latina, podemos destacar: 

• O crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo do Brasil, de mais 10 mil anos, dormia numa gaveta do Museu Nacional. 

• A melhor coleção de dinossauros e múmias incas (fora do Peru) da América Latina.

• Uma múmia egípcia. 

• A única cabeça de Tiranossauro Rex da América Latina. 

• Parte da coleção greco-romana da Imperatriz Teresa Cristina.

• Pergaminho datado do século XI com manuscritos em grego sobre os quatro Evangelhos, o exemplar mais antigo da Biblioteca Nacional e da América Latina. 

• A Bíblia de Mogúncia, de 1462, primeira obra impressa a conter informações como data, lugar de impressão e os nomes dos impressores, os alemães Johann Fust e Peter Schoffer, ex-sócios de Gutemberg. 

• A crônica de Nuremberg, de 1493, considerado o livro mais ilustrado do século XV, com mapas xilogravados tidos como os mais antigos em livro impresso. 

• Bíblia Poliglota de Antuérpia, de 1569, Obra monumental do mais renomado impressor do século XVI: Cristóvão Plantin. 

• A primeira edição de “Os Lusíadas”, de 1572. 

• A primeira edição da “Arte da gramática da língua portuguesa”, escrita pelo Padre José de Anchieta em 1595. 

• O “Rerum per octennium...Brasília”, de Baerle (1647), com 55 pranchas a cores desenhadas por Frans Post. 

• Exemplar completo da famosa Encyclopédie Française, uma das obras de referência para a Revolução Francesa. 

• O primeiro jornal impresso do mundo, datado de 1601. 

• Exemplar único e considerado raríssimo do livro publicado em 1605 pelo autor Hrabanus Maurus, que criou o caça-palavras em forma de poesia visual

 

 

Publicado em 04 de setembro de 2018

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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