Get Adobe Flash player
Início

Julho das pretas| O Sindsef-SP repudia a violência cotidiana da polícia militar racista contra a população negra e pobre

 O Sindsef-SP repudia a violência policial racista registrada contra uma mulher negra, de 51 anos, em Parelheiros, na zona Sul da capital paulista. As imagens vieram à publico, justo quando celebramos o Julho das Pretas, em alusão ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. 

A abordagem truculenta e covarde iniciou-se contra um homem que foi, e continuou sendo, agredido, mesmo depois de dominado. A mulher saiu em defesa do rapaz, pedindo que os PMs parassem com a agressão. Na sequência, as imagens veiculadas a mostram já dominada, jogada de rosto no asfalto, enquanto um policial militar pisa em seu pescoço. Em determinado momento, o PM apoia o peso do corpo exatamente no pé que está no pescoço da mulher.

A cena ocorre em plena luz do dia e com os PMs cientes de estarem sendo filmados. Mas, mesmo assim, eles não atendem ao apelo de quem argumenta: “Vai machucar ela”, “Ela é mulher, moço!”.

Após a divulgação das cenas revoltantes, o governador do Estado, João Dória, repetiu a ladainha de sempre: “Os policiais já foram afastados e responderão a inquérito”; é inaceitável a conduta de violência desnecessária de alguns policiais”. A Secretaria de Segurança Pública diz que não compactua com esse tipo de comportamento e que os PMs ficarão afastados durante a apuração do caso. 

O vídeo em questão ganhou publicidade em julho, mas as cenas foram gravadas dias após o sufocamento de George Floyd, nos Estados Unidos. Ou seja, mesmo com a mídia dando destaque para a denúncia de racismo que começava a ganhar força pelo mundo, o que mostra que os policiais contam com a certeza da impunidade.

A população negra e moradora das periferias, também, têm certeza dessa impunidade. Quando a abordagem ganha visibilidade, há até uma iniciativa de apuração, mas na maioria das vezes a punição não vai além de um afastamento temporário das ruas e transferência para realização de serviços administrativos. 

Essa impunidade tende a crescer, já que, em São Paulo, a Justiça Militar concedeu permissão para que todos os oficiais da Polícia Militar do estado possam realizar apreensões de armas e outros objetos em cenas de crimes envolvendo PMs. O que garante que as cenas do crime serão preservadas? 

Pois bem, quantos casos semelhantes assistimos nos noticiários? Em quantos deles ocorreram alguma punição aos policiais envolvidos? Quais foram as ações adotadas para impedir essa abordagem? E quem são os que rotineiramente sofrem com essas humilhações e violência?

Percebe-se que não é só a violência física dos agentes de segurança que se repete. A violência psicológica também. Essa ultima, se expressa no tratamento desumanizado dado as vidas negras e pobres, sempre reduzidas a algo de menos valor. É inaceitável considerar que essas situações de violência em comunidades carentes e/ou com pessoas negras são casos isolados.

O histórico de abordagens violentas indica que é quase um protocolo de atuação. 

O Sindsef-SP exige punição aos envolvidos nas humilhações e violência que, infelizmente, faz parte do cotidiano dos negros e pobres.

Vamos seguir lutando para acabar com o racismo e o preconceito! 

Não basta não ser racista é preciso ser antirracista! Abaixo a opressão racista, machista, LGBTfóbica, e todas as formas de opressão! Todas as vidas importam! Continuaremos lutando por todas elas!