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Campanha 21 dias ativismo contra o racismo | A sobrevivência da mulher negra, em tempos de Covid-19

No contexto da pandemia provocada pelo novo coronavírus, as mulheres negras são as mais afetadas com a política de redução dos benefícios sociais imposto pelo governo Bolsonaro.<--break- /><--break- />

Obrigada a protagonizar o papel de guerreira, as mulheres negras atravessam a cidade para ganhar o pão de cada dia, enfrentam transporte públicos superlotados, sofrem diversos tipos de assédio e correm forte risco de contaminação no percurso. A maioria ocupa precários postos de trabalho, que não permite fazer teletrabalho, recebe salários irrisórios, insuficientes para garantir um teto, comida à mesa e pagamento das contas básicas.

Levantamentos do IBGE indicam que a população negra compõe a maior parte da força de trabalho empobrecida do país, sem acesso a saneamento adequado e nem à boa alimentação. 

Dados oficiais do Ministério da Saúde já mostraram que, tanto para os casos de síndrome respiratória aguda grave (SARS) provocada pelo COVID-19, quanto para os óbitos em decorrência da doença, as pessoas negras são as mais atingidas. Por exemplo, na cidade de São Paulo, os negros têm 62% mais chances de morrer de COVID-19 quando comparados aos não negros. 

Impactos econômicos  

De acordo com dados anuais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNADC), de 2020, a taxa de desemprego das mulheres negras cresceu 3,2%, atingindo a alarmante taxa de 19,8%, enquanto a de mulheres não negras aumentou 2,9%, chegando a 13,5%. 

As trabalhadoras domésticas, que em sua grande maioria são negras, sentiram o forte efeito da pandemia em suas ocupações, uma vez que 1,6 milhões perderam seus trabalhos. Outro grupo que impactou o índice de desemprego, foi as trabalhadoras informais, que passou de 13,5 milhões para 10,5 milhões. 

Esses números resultaram no agravamento da situação de pobreza e de exclusão social das mulheres negras. Assim, muitas precisaram sair de casa para buscar uma inserção, ou seja, escolher entre algum trabalho e renda ou a proteção de sua vida e da família.

A redução, ou suspensão, do auxilio-emergencial piorou a situação de penúria de muitas famílias que sofrem com o desemprego e falta de renda.

 

Trabalho não remunerado

Segundo o estudo “Outras Formas de Trabalho” - IBGE/2019, as mulheres negras dedicam mais horas ao trabalho doméstico não remunerado. em 2019, 94,1% das mulheres pretas e 92,3% das pardas relataram fazer tarefas domésticas. A taxa vem crescendo desde 2016, quando foi de 91,7% para as pretas e 91,2% para as pardas. Entre as mulheres brancas, a taxa foi de 91,5%. Comparado aos homens, a diferença é ainda maior.

Não podemos esquecer as famílias monoparentais chefiadas por mulheres, que podem não ter ninguém para compartilhar esse trabalho. Sendo que, mesmo em lares onde há divisão das tarefas, as mulheres negras ainda ficam com a maior carga de trabalho. 

A atual crise sanitária aumentou o fardo das mulheres. Além de seus empregos remunerados, acumulam mais afazeres domésticos, acrescentando o acompanhamento escolar dos filhos as tarefas do cotidiano. Além da preocupação com os idosos sob sua responsabilidade. As longas jornadas foram determinantes para agravar problemas de saúde física e mental dessas mulheres.  

 

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde – Prefeitura de São Paulo | PNAD – IBGE/2020 | Gelédes