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Um sindicato que nasceu das lutas

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Em 1988, pela primeira vez, após anos de repressão na ditadura militar, os servidores públicos federais de todo o país se uniram em uma greve geral da categoria. Também foi o ano em que entrou em vigor a constituição de 1988, e os servidores públicos federais passaram a ter o direito a se organizarem em sindicatos. Até então, só era permitida a existência de associações, que eram, em sua grande maioria, entidades pelegas e contrárias à realização de greves.

Em 1989 houve uma nova greve dos servidores federais, reivindicando reposição salarial, o direito irrestrito de greve e de organização sindical. Com essas lutas, percebe-se a necessidade de construir sindicatos que organizassem as lutas da categoria nos estados e nacionalmente. Já havia a movimentação pela formação de sindicatos gerais de servidores federais nos estados. O primeiro a ser criado foi o SINDSEP, no Distrito Federal, em 1987. Porém, havia uma polêmica sobre a melhor forma de organizar os servidores. Alguns achavam que a melhor forma era construir sindicatos que representassem cada setor por órgão. Mas, para a maioria, era clara a necessidade de formar um sindicato geral no estado, que fosse capaz de unificar as lutas e fortalecer a categoria. Em 11 de maio de 1991, ocorre então a assembléia de fundação do SINDSEF-SP, que também aprovou uma diretoria e um estatuto provisórios. O primeiro Congresso da entidade ocorreria em abril de 1992. Naquele congresso era possível perceber a disposição dos servidores em construir a entidade, pois desde a fundação, em menos de um ano, o SINDSEF-SP já tinha 1.100 filiados em 17 órgãos públicos. O sindicato recém-fundado teve sua primeira sede no SIMTRAB, sindicato dos servidores da DRT/SP.

O SINDSEF-SP nasceu em um período de intensas lutas, de greves que se unificaram e conseguiram inclusive derrubar o presidente Collor. Naquele período se iniciava a aplicação dos planos neoliberais e os serviços públicos eram atacados para desobrigar cada vez mais o Estado brasileiro de suas responsabilidades. A privatização dos serviços públicos foi uma ameaça constante no período.

Não é à toa que em seu manifesto de fundação, o SINDSEF-SP já surgia com o objetivo de "construir a mais ampla unidade em torno da luta contra Collor e os planos do FMI, em defesa do Serviço Público e Estatais, pelo não pagamento da dívida externa e pelo atendimento das reivindicações dos trabalhadores". O manifesto também aponta como primeiras tarefas do sindicato a "constituição de comitês pela Greve Geral na base" e a "filiação à CUT para unificar a luta dos trabalhadores e construir a Greve Geral pra valer contra Collor!". O SINDSEF-SP já nasceu nas lutas e sempre esteve presente nas greves e nas batalhas da classe trabalhadora, independentemente das mudanças na diretoria ao longo dos anos.

Em maio de 1992 o sindicato enfrentou sua primeira greve e começou a se tornar referência para servidores de diversos órgãos. Também foi um sindicato que esteve participando ativamente das lutas pelo Fora Collor. Em 1993 uma nova greve dos servidores federais obteve conquistas como o reajuste da GAE (Gratificação de Atividade Executiva) e uma política salarial que recuperou o poder aquisitivo da categoria naquele momento.

Em abril de 1994 o SINDSEF-SP atingiu o número de 3.600 filiações. Esse também foi o período em que o governo de Itamar Franco começou a implementar o Plano Real de FHC. Naquele ano, a CUT já começava a boicotar as atividades de luta aprovadas em suas próprias instâncias.

Além das greves e das intensas lutas do funcionalismo contra os governos neoliberais da década de 90, o SINDSEF-SP também promoveu a conscientização através da arte. Em 1995, o sindicato produziu a peça Gibi: A Olimpíada do Servidor, um espetáculo teatral em forma de história em quadrinhos que destacava a batalha diária do servidor federal contra a falta de verbas, a burocracia, o medo do desemprego e o desmonte dos serviços públicos. A peça, que fez muito sucesso e foi apresentada em vários lugares, inclusive em outros estados, foi concebida por Laerte Morrone e Décio Gentil e dirigida por Beth Lima, que também é diretora do sindicato.

Em 1997, o SINDSEF também esteve presente na manifestação em Brasília que reuniu cerca de cem mil ativistas para protestar contra o governo FHC. Os servidores de São Paulo lotaram dois ônibus e houve naquele dia uma paralisação de 24 horas no IPEN. Órgãos como o LARA Campinas, o Ministério da Fazenda Campinas e o INCRA São Paulo pararam as atividades por uma hora no dia. Em outros lugares houve panfletagens, colagem de cartazes e outras atividades que marcaram o dia de protesto.

Em 26 de agosto de 1999, o sindicato participou da Marcha dos 100 mil em Brasília, defendendo o Fora FHC e o FMI. A marcha também marcou a entrega de um abaixo-assinado pelo impeachment de FHC e pela instalação de uma CPI sobre o leilão da Telebrás.

Em setembro de 2001, o SINDSEF-SP, junto com outras entidades do serviço público federal em São Paulo, realizou o Primeiro Encontro dos Aposentados e Pensionistas no Serviço Público Federal do Estado de São Paulo. As entidades que organizaram e participaram do evento foram: SINDSEF-SP, SINTRAJUD, SINSPREV, SINASEFE, SINTUNIFESP, SINTUFSCAR e SINDFISP. O evento contou com a participação de 230 pessoas e foi um marco importante na organização dos aposentados. Também teve como resultado a publicação do Jornal dos Aposentados, a organização das lutas contra a reforma da Previdência e em defesa do Fora FHC e FMI.

Em todas as lutas, todas as campanhas salariais, todas as greves nacionais da categoria, ou as greves por setor, em todas as lutas gerais da classe trabalhadora, num período de grandes ataques, de privatizações e retirada de direitos, em todas as batalhas na defesa dos servidores e do conjunto dos trabalhadores, o SINDSEF-SP sempre esteve presente, sempre teve essa defesa intransigente como prioridade número um. Contra a reforma da Previdência do Governo Lula, em um momento em que os servidores públicos de todo o país tiveram que se organizar por fora da CUT e lutar contra um governo que fora eleito com um discurso de defesa dos trabalhadores, o SINDSEF-SP não desistiu e esteve presente.

O presidente Lula, uma liderança surgida na classe trabalhadora, mas que ao chegar ao poder se mostrou o mais fiel defensor dos planos neoliberais e aplicou e segue aplicando como nenhum outro governo reformas e ataques aos trabalhadores, mas isso não intimidou o SINDSEF-SP. A traição da CUT, central à qual o sindicato esteve filiado desde a fundação, também não esmoreceu os lutadores que persistem defendendo essa categoria.

Por isso, o SINDSEF-SP, numa decisão histórica em seu 13º Congresso em outubro de 2004, aprovou a desfiliação à CUT e a construção da CONLUTAS (Coordenação Nacional de Lutas), para poder seguir seus princípios de defesa dos servidores e descartar uma ferramenta que agora serve ao governo e ao neoliberalismo. No mesmo congresso, os servidores também aprovaram uma postura de oposição de esquerda ao governo Lula, pois entenderam que a única maneira de defender reajuste salarial, direitos trabalhistas, fortalecimento dos serviços públicos, planos de carreira, é enfrentando esse governo.

Em 2005, a Conlutas se fortaleceu e cresceu em todo o país e o Sindsef-SP foi parte deste processo de consolidação. O Sindsef-SP esteve à frente de diversas manifestações contra a corrupção do governo, tanto no estado quanto em Brasília. O sindicato teve participação destacada no ato realizado pela Conlutas dia 17 de agosto na capital federal. Munido de fantasias, malas de dinheiro e um extenso varal de cuecas recheadas de dólares, o Sindsef-SP conferiu humor e ironia ao protesto, conquistando visibilidade na imprensa. Cerca de 16 mil pessoas estiveram em Brasília naquele ato.

Já o ano de 2006 foi marcado por um evento histórico na reorganização dos trabalhadores: o Congresso Nacional dos Trabalhadores, o Conat. Realizado em maio, o evento fundou oficialmente uma nova entidade de luta. O Conat reuniu milhares de ativistas em Sumaré durante os dias 5, 6 e 7 de maio e foi um marco na construção e fortalecimento da Conlutas.

Em 25 de março de 2007, o sindicato participa do Encontro Nacional contra as reformas, que reuniu cerca de 6 mil pessoas em São Paulo, além de aglutinar diversas entidades e setores além da Conlutas que aprovaram um calendário unificado de mobilizações. Uma delas foi o dia de luta em 23 de maio, com cerca de 1,5 milhão de pessoas realizando por todo o país protestos, paralisações, greves, ocupações e bloqueios de estradas. O Plebiscito Popular sobre a Vale e as privatizações colheu em setembro quase 4 milhões de votos. Sindsef-SP colheu 2.471 votos no estado. O ‘Não’ venceu de lavada em todas as perguntas.

Mas o principal protesto do calendário de 2007 foi a marcha a Brasília no dia 24 de outubro. O Sindsef-SP levou dois ônibus cheios e fez uma performance de crítica ao governo e ao Congresso, ao som do “Tango do Covil”, música de Chico Buarque. Treze pizzaiolos com faixas de deputados e senadores dançaram com o personagem Renan Calheiros e a Dama da Corrupção. Foi um momento que ficou marcado na história do sindicato e na memória dos que participaram.

Em 2007 e também em 2008 o Sindsef-SP esteve à frente da construção de uma alternativa ao governismo que a maioria da direção vem assumindo. O movimento Luta Servidor vem crescendo nos estados e ganhando força, e o sindicato é parte essencial desta história.

Nesses últimos anos, o Sindsef-SP também esteve junto com os diversos setores que vêm construindo suas greves, apesar do imobilismo e fragmentação que as direções governistas vêm impondo. Servidores do Ibama, Incra, Cultura, Ciência e Tecnologia, DNIT, entre outros setores, não deixaram de lutar e realizaram importantes greves neste período. O Sindsef-SP esteve presente e continuará lutando junto com os servidores e buscando a unificação da categoria.

A história do SINDSEF-SP é a de uma entidade que nasceu das lutas do final dos anos 80, manteve sua postura combativa durante todos os ataques neoliberais dos anos 90 e renovou suas disposições de lutar diante das traições das antigas lideranças. Essa história não acabou e depende de cada servidor para seguir seu curso.





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