INMET | Governo ameaça reduzir 40% dos distritos meteorológicos

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O descontentamento entre os servidores públicos não tem limites. O aprofundamento do desmonte dos serviços públicos é reiteradamente denunciado. Dessa vez, o alvo do governo federal é o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e seus trabalhadores.

O governo teria anunciado, informalmente, que pretende encerrar o funcionamento de quatro distritos meteorológicos (DISME). A notícia foi publicada pelo jornal O Globo, no dia 02 de julho.

Segundo a matéria, a previsão é que até setembro sejam fechadas as unidades de Cuiabá, Goiânia, Salvador e Manaus. A decisão teria sido repassada pela coordenadora Helenir Trindade aos chefes dos distritos, em uma reunião virtual.

O distrito de Manaus atende, além do Amazonas, aos estados do Acre e Roraima. Com o fechamento do distrito, as 28 estações meteorológicas existentes nos três estados passarão a responder à coordenação do Inmet em Belém (PA).

Os servidores do Disme/Manaus alertam que, caso ocorra, o fechamento representará uma grande perda para à região, principalmente devido a questões de logísticas, pois muitas estações só podem ser acessadas por vias aéreas ou fluviais. A nova estrutura, pode gerar déficits de informações necessárias para a segurança da população dos estados atendidos.

Ao tomar conhecimento dessa possibilidade, o Coordenador do distrito de Belém, José Raimundo Abreu, apontou os equívocos do projeto e se posicionou contra esse ato. O resultado foi sua exoneração do cargo, publicada enquanto o servidor estava em férias.

À coluna de Lauro Jardim, também do jornal O globo, o Inmet alegou que com a exoneração o servidor “poderia se dedicar com maior exclusividade ao monitoramento, previsões e avisos meteorológicos”.

Como ficam os trabalhadores concursados e terceirizados?

Ao anunciar o fechamento dos quatro distritos, o governo teria sinalizado como solução a aposentadoria ou transferência dos servidores para outros órgãos. No entanto, o fechamento também acarretará o fim do pagamento da Gratificação do Instituto Nacional de Meteorologia (Geimet), que varia de R$ 874 a R$ 1.287, o que significará redução salarial.

Além disso, o órgão também tem trabalhadores terceirizados, que certamente irão engrossar as estatísticas dos desempregados, pois não houve qualquer menção de suporte a possíveis demissões.

No governo Bolsonaro, o Inmet passou a ser subordinado a Secretaria de Desenvolvimento de Irrigação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento-SRI/MAPA. Agora surge essa proposta, que na prática vai significar reduzir 40% da estrutura do Instituto.

Os trabalhadores avaliam que há um movimento para centralizar os trabalhos em Brasília. Além disso, as mudanças intempestivas e a exoneração de José Raimundo parecem ter o objetivo de facilitar um aparelhamento político do órgão.

O Departamento Jurídico do Sindsef-SP está atento, acompanhando os desdobramentos e os possíveis reflexos para os servidores.

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