Rio+20: CSP-Conlutas desmascara falácia do desenvolvimento sustentável no Brasil

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Começou hoje, 13/06, a Rio+20 – Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. O Jornal do Sindsef-SP entrevistou Gualberto Tinoco (Pitéu), da CSP-Conlutas da cidade onde vai acontecer o evento internacional.
O companheiro refletiu a real face da conferência, seu caráter e dos seus organizadores. Confira a entrevista na íntegra!

 

1 – A Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, será realizada de 13 a 22 de junho de 2012, no Rio de Janeiro. O nome faz referência aos 20 anos da realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92 ou ECO-92). Como a CSP-Conlutas avalia a vinda do evento para o Brasil?

Em um mundo que o sistema de produção capitalista destrói a biodiversidade para garantir a taxa de lucro a Conferência das Nações Unidas é um evento com um conteúdo profundamente hipócrita e cínico.  Os organizadores, o governo sabe muito bem que é incompatível o desenvolvimento do capitalismo, com a preservação da natureza e de suas forças produtivas. O balanço histórico do desenvolvimento do capitalismo durante todo o século XX mostra que este modo de produção e distribuição das riquezas deixou como saldo macabro de duas guerras mundiais, degradação do meio ambiente, mudança de cursos de água com assoreamento de rios e lagoas, a elevação da temperatura mundial com impacto sobre os polos e as geleiras, a extinção de várias espécies, o aumento da fome e da miséria para amplos setores da humanidade. 

2 – A conferência tem como objetivo a “renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, por meio da avaliação do progresso e das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos emergentes”. Há compromisso político com o desenvolvimento sustentável por parte do governo brasileiro?

O compromisso do Governo de Dilma Rousseff é com o lucro do capital internacional e as multinacionais.  O novo código Florestal, as obras de Belo Monte ou a transposição do curso do Rio São Francisco mostram que este governo não tem nenhum compromisso com a biodiversidade ou com a preservação do meio ambiente para o povo brasileiro e a saúde do planeta.

3 – À frente do Governo Federal, o PT deu andamento a projetos polêmicos como o da transposição do rio São Francisco e da construção hidrelétrica de Belo Monte. Como e a troco de quê estão sendo construídas essas obras faraônicas?

Parece-nos que esta tem sido a fórmula tupiniquim para enfrentar a crise de superprodução mundial do capitalismo.  O governo de Dilma usa o dinheiro público, fruto da arrecadação de impostos, para financiar o crescimento da taxa de lucro da iniciativa privada e, desta forma, ter uma política que atraia os investidores internacionais.  À frente do Governo Federal, o PT segue entregando todas as nossas riquezas naturais na tentativa de manter o crescimento da economia capitalista brasileira.  Efetivamente, as secas no interior do nordeste ou a superação da crise energética não serão resolvidos com as políticas implementadas pelo PT, o PC do B ou PMDB.

4 – O Novo Código Florestal – alvo que muitas críticas de ambientalistas e movimentos sociais, a exemplo da CSP-Conlutas – está nas mãos de Dilma Rousseft. Em 2012, durante campanha eleitoral, a atual presidenta da república assumiu compromisso de que vetaria quaisquer dispositivos que anistiassem crimes ambientais e promovessem desmatamentos. O que vai acontecer com o desenvolvimento sustentável no país se novo código entrar em vigor e quais os principais problemas da nova legislação?

O Governo Federal não só distribuiu anistias e promoveu a impunidade com o novo Código Florestal Brasileiro, publicado no Diário Oficial da União desta segunda (28 de maio), como piorou a proteção das florestas de todo o país. Além disso, as anistias sobre pagamento de multas ou desobrigação da recuperação da vegetação estão distribuídas em vários artigos da Lei 12.651/2012 e incidem sobre propriedades com até quatro módulos fiscais, em áreas sensíveis e de grande valor ecológico e social.
Desta forma ficam consolidados desmatamentos no entorno de nascentes, em manguezais e outras áreas úmidas. Também foi permitida a recomposição de margens de rios e outras áreas de preservação permanente com eucalipto, soja ou qualquer espécie exótica, e reduzida à proteção em topos de morros.
Assim, Dilma e o PT reafirmam seu compromisso com o agronegócio e o latifúndio. Incentiva a produção para a exportação de commodities e aplica a falsa tese de apoio ao desenvolvimento de uma “nova classe média rural”.  Na verdade a devastação da cobertura florestal às margens de cursos d’água contribui para o assoreamento do leito dos rios, aumentando a velocidade de escoamento das águas, provocando erosões e enxurradas. Os impactos, portanto, acontecem tanto em áreas rurais quanto urbanas.

5 – Um dos temas abordados no evento será a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza. O que a CSP-Conlutas tem a dizer sobre esse assunto?

A erradicação da pobreza só é possível com o fim da propriedade privada dos meios de produção. A chamada economia verde não passa de mais um engodo para manter a exploração capitalista.  Contudo esta exploração é incompatível com a melhoria da qualidade de vida para a maioria da população mundial e a preservação da natureza. Pretendemos demonstrar a todos os trabalhadores e ao povo que o chamado desenvolvimento sustentável da economia capitalista não passa de uma utopia reacionária. Só com o fim do capitalismo e a socialização da apropriação da produção de riquezas é possível superar os problemas e a crise da humanidade. 

6 – Quais as ações da CSP-Conlutas e movimentos sociais organizados durante a conferência?

Não podemos falar sobre as ações dos demais movimentos sociais organizados, mas a CSP-Conlutas utilizará este espaço para denunciar a Conferência, seu caráter e o dos seus organizadores.  Denunciaremos os imperialismos e seus órgãos multilaterais, que ao mesmo tempo em que afirmam se preocupar com meio ambiente, seguem atacando ou retirando direitos dos trabalhadores, para recuperar suas taxas de lucro.
Vamos denunciar a hipocrisia e o cinismo do governo de Dilma e colocar a nu as suas relações com o capital internacional, as multinacionais, o agronegócio e o latifúndio.  Vamos alertar ao conjunto de nossa classe sobre o engodo da “Rio+20”, que pretende perpetuar a exploração e opressão capitalista, travestida de economia verde.
Vamos reafirmar que só a mobilização e a luta do conjunto da classe trabalhadora pode, efetivamente, garantir um melhor futuro para o conjunto da humanidade e de fato preservar e desenvolver as força produtivas da natureza.  Para isso vamos conclamar que todos os trabalhadores e o povo unifiquem suas campanhas salariais, suas lutas para derrotar os planos de Dilma e do capitalismo.
Vamos realizar reuniões, palestras, debates e oficinas que ajude e fortaleça as mobilizações do proletariado rumo a sua emancipação.  Realizaremos quantas ações forem necessárias para convencer aos trabalhadores e ao povo que só com a destruição do atual modo de produção e a construção de uma nova sociedade poderemos preservar a biodiversidade em todos os biomas.  Pretendemos reafirmar que é necessário dar um fim a contradição entre a produção socializada e a apropriação privada e que esta produção só servirá ao conjunto da humanidade no dia que sua apropriação for coletiva, a partir do extermínio da propriedade privada dos meios de produção.
Por fim, utilizaremos este espaço de discussão, de preocupação com o futuro do planeta e da humanidade para fazer propaganda e agitação sobre a necessidade de construção do socialismo.

 

Foto: EFE – IG

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