A luta por visibilidade começa pelo direito de viver: basta de violência e preconceito contra pessoas trans!

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O Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro, é uma data de afirmação da existência, da dignidade e da luta das pessoas trans no Brasil. Em um país onde a violência segue interrompendo vidas, falar em visibilidade passa, antes de tudo, pelo direito fundamental de viver. Mais do que um marco simbólico, a data convoca a sociedade e o poder público a enfrentarem a violência, o preconceito e a exclusão social que ainda estruturam a realidade dessa parcela da classe trabalhadora.

Protesto na Praia de Copacabana lembra a morte de 144 pessoas trans no país. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Mesmo diante de avanços legais importantes, o Brasil permanece ocupando uma posição alarmante no cenário internacional. Segundo o dossiê mais recente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o país segue, pelo 17º ano consecutivo, como o que mais mata pessoas trans no mundo. Em 2025, ao menos 80 assassinatos foram registrados, número que, embora represente queda em relação a 2024, segue sendo brutal e agravado pela subnotificação.

O perfil das vítimas evidencia a face estrutural dessa violência: a maioria são travestis e mulheres trans, jovens, negras, empobrecidas e assassinadas em espaços públicos, muitas vezes com requintes de crueldade. A expectativa de vida da população trans no Brasil é de apenas 35 anos, um dado que sintetiza o impacto combinado da violência física, da exclusão educacional, da precarização do trabalho e da negação de direitos básicos.

A exclusão começa cedo. Estima-se que cerca de 72% das pessoas trans não concluam o Ensino Médio, principalmente em razão do preconceito e da violência no ambiente escolar. Esse processo empurra grande parte dessa população para a informalidade, para o desemprego ou para a situação de rua. Dados recentes indicam que apenas 0,38% das vagas formais no país são ocupadas por pessoas trans e, mesmo quando inseridas no mercado de trabalho, enfrentam salários mais baixos e maior instabilidade. Segundo o Ipea, trabalhadores trans recebem, em média, 32% a menos que a média nacional, diferença que persiste inclusive entre pessoas com ensino superior completo.

Diante desse cenário, políticas públicas não são concessões, mas necessidades urgentes. Conquistas como o direito à retificação de nome e gênero em cartório e a criminalização da transfobia representam avanços importantes, mas insuficientes para garantir uma vida digna. É fundamental ampliar o acesso à educação, fortalecer políticas de permanência estudantil, garantir cotas para pessoas trans nas universidades públicas, investir em saúde integral — incluindo ambulatórios especializados — e promover políticas efetivas de emprego, renda e moradia.

A visibilidade que se reivindica no 29 de janeiro é aquela que assegura direitos, proteção social e condições dignas de vida. Enquanto pessoas trans continuarem sendo assassinadas por serem quem são, a sociedade brasileira seguirá em dívida com o direito à vida e à dignidade humana.

Para o Sindsef-SP, a defesa da população trans é parte indissociável da luta da classe trabalhadora e da defesa dos serviços públicos. Dar visibilidade é reconhecer desigualdades históricas, enfrentar injustiças estruturais e exigir do Estado políticas públicas que garantam vida, direitos e proteção. Sem o direito de viver, não há visibilidade possível. Basta de violência e preconceito.

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