Cientista brasileira fez seis tetraplégicos voltarem a andar

COMPARTILHE

Compartilhe emfacebook
Compartilhe emtwitter
Compartilhe emwhatsapp
Compartilhe emtelegram

Quando a Ciência Vence a Paralisia: Brasil desenvolve medicamento inovador para lesões medulares

A imagem do primeiro paciente a recuperar funções motoras após um quadro de tetraplegia, empurrando a cadeira de rodas da ex-ginasta Laís Souza, viralizou e emocionou o país. Por décadas, acreditou-se que lesões graves na medula espinhal eram irreversíveis. Hoje, a pesquisa em medicina regenerativa reacende a esperança de pessoas que haviam perdido os movimentos.

Bruno Drummond, primeiro paciente a receber a polilaminina, empurrando a cadeira de rodas de Laís Souza, ex-ginasta da seleção brasileira que ficou tetraplégica após um grave acidente em 2014.

Esse marco histórico não é obra do acaso, tampouco milagre. É o resultado concreto de um medicamento experimental desenvolvido inteiramente no Brasil, que já possibilitou a seis pacientes tetraplégicos recuperarem a capacidade de andar: a polilaminina.

A bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e responsável pelo desenvolvimento da polilaminina, dedicou mais de 20 anos a uma pesquisa conduzida com rigor e persistência. Foram décadas de testes em laboratório, experimentos, formação de equipes e etapas preparatórias para ensaios clínicos, tudo realizado em uma universidade pública, sustentada por financiamento do Governo Federal. Cada resultado alcançado carrega uma longa cadeia de investimento público.

Trata-se de um exemplo inequívoco de que investir em Ciência, Tecnologia e Inovação deveria ser prioridade nacional. No entanto, a ciência brasileira vem sendo asfixiada por um modelo econômico que prioriza o pagamento de juros da dívida pública em detrimento de áreas estratégicas e da própria vida humana.

O caso da polilaminina revela o que o Brasil é capaz de produzir quando aposta em seus cientistas. A Dra. Tatiana e sua equipe enfrentaram décadas de dificuldades, escassez de recursos e entraves burocráticos para levar uma descoberta do laboratório ao leito hospitalar. Se hoje há esperança para pessoas com lesão medular, isso se deve à persistência dos pesquisadores e à existência, ainda que insuficiente, de políticas públicas de fomento à ciência.

Cortes orçamentários

O avanço científico não sobrevive apenas de boas ideias. Ele exige laboratórios equipados, bolsas para pesquisadores, financiamento contínuo e estabilidade orçamentária. O que se observou nos últimos anos, porém, foi um processo sistemático de desmonte.

A produção científica foi atingida por sucessivos cortes orçamentários. Governos federais reduziram drasticamente os recursos destinados à C&T sob o argumento de cumprimento de metas fiscais, ampliando o peso do pagamento de juros da dívida sobre outras áreas essenciais. Na prática, isso significou laboratórios fechados, equipes desestruturadas e projetos promissores interrompidos antes de atingirem maturidade.

Durante o governo de Jair Bolsonaro, o Ministério da Ciência e Tecnologia sofreu um corte de 87% de sua verba em um único ano, reduzindo o orçamento a níveis críticos. Embora o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tenha recolocado a ciência no centro do discurso institucional, a prática permanece condicionada ao chamado “Arcabouço Fiscal” e às políticas de austeridade, que continuam impondo restrições e contingenciamentos.

Levantamento da Auditoria Cidadã da Dívida (ACD) aponta que apenas 0,36% do Orçamento Federal é destinado à Ciência e Tecnologia, enquanto cerca de 42%, aproximadamente R$ 2,1 trilhões, são direcionados ao pagamento de juros e amortizações da dívida pública. O resultado são pesquisas interrompidas, profissionais altamente qualificados deixam o país e tratamentos inovadores, como o desenvolvido por Tatiana, avançam em ritmo mais lento do que poderiam.

Os cortes orçamentários de 2015 e 2016 também deixaram marcas profundas. Por falta de recursos, o Brasil perdeu o registro internacional de patente da polilaminina, cuja manutenção exige o pagamento periódico de taxas administrativas. O que poderia representar um avanço histórico para a medicina nacional e um marco de soberania científica tornou-se vulnerável.

Embora o registro nacional tenha sido preservado, o episódio evidencia como o corte no orçamento não apenas desacelera descobertas, mas fragiliza a capacidade do país de proteger e transformar conhecimento em desenvolvimento econômico e impacto social.

No período citado, a Presidência da República foi exercida por Dilma Rousseff até agosto de 2016, quando ocorreu seu impeachment, e posteriormente por Michel Temer. A sequência de cortes orçamentários demonstra que o desmonte dos serviços públicos e o enfraquecimento do Estado não se limitaram a um único governo, mas expressam um alinhamento econômico que atravessa diferentes governos.

O avanço representado pela polilaminina é uma prova concreta do que o Brasil pode produzir quando aposta em sua ciência pública. A capacidade de transformar conhecimento em impacto social é o que diferencia um país que se desenvolve daquele que depende da importação de soluções.

Para que mais pesquisas como essa cheguem ao fim e beneficiem milhões de pessoas, é indispensável que a ciência seja tratada como prioridade estratégica e não como despesa a ser contingenciada.
Investir em ciência é investir em saúde pública, inovação tecnológica, soberania nacional e direitos sociais.

Com informações: Auditoria cidadã, Enfim Ciência e Jornal do Vale

Medicamento reabilita paraplégicos mostra que em Ciência não se corta, se investe

Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência: Conheça, valorize e amplie vozes femininas na produção científica

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais Notícias

#EmCasaComSesc

O Sesc São Paulo apresenta uma série dedicada à sétima arte, o Cinema #EmCasaComSesc, com exibição gratuita de filmes em streaming e curadoria do CineSesc. Toda semana, novos títulos são

24/fev, 9h – Assembleia dos servidores do MS

24 de fevereiro, terça-feira, às 9h, servidores do Ministério da Saúde realizam assembleia presencial, no auditório do Sindserv/Guarujá, situado à Rua Manoel Hipólito do Rêgo, nº 84, Guarujá/SP. Pauta:– Informe