
Em assembleia realizada no último dia 23 de fevereiro, servidoras e servidores do Incra em São Paulo debateram o cenário político e econômico e seus desdobramentos nas lutas do Funcionalismo Federal.
Luis Genova, servidor do Ipen e secretário-geral do Sindsef-SP, abriu a assembleia com uma breve análise das ações da campanha salarial de 2026.
Embora a pauta da campanha salarial tenha sido formalmente protocolada, na prática as negociações que ocorrerão este ano visam garantir reajuste apenas para 2027. A avaliação é de que somente uma forte mobilização poderá alterar esse cenário.
Reestruturação da carreira
A assembleia contou com informes da Cnasi, apresentados pelo servidor Roberto Alves de Almeida. No centro do debate está a proposta de “espelhamento” da tabela salarial de carreiras transversais do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), como a de Analista Técnico, com o objetivo de reduzir disparidades e elevar o Vencimento Básico (VB). A estratégia não prevê migração para novas carreiras, mas a correção de distorções que hoje tornam o Incra menos competitivo no serviço público federal.
A assembleia reconheceu que o diálogo em Brasília ainda é frágil. Relatos apontaram que a interlocução com representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário ocorreu de forma pontual, com entrega de documentos e promessa de apoio institucional. A avaliação predominante, porém, é de que é preciso transformar contatos esporádicos em articulação política consistente, com pressão organizada e presença mais expressiva da base nos espaços de decisão.
Um dos principais desafios apontados é a evasão de servidores. O Incra vem sendo tratado como “órgão trampolim”: profissionais qualificados ingressam na autarquia e, diante da defasagem salarial, migram para carreiras mais valorizadas assim que convocados. O impacto recai sobre a continuidade administrativa e sobre os recursos públicos investidos em formação. Para enfrentar esse quadro, a proposta de valorização do início da carreira busca tornar o órgão minimamente competitivo e reduzir a saída precoce de recém-concursados.
Como estratégia de atuação, foi defendida a ampliação da pressão sobre parlamentares no Senado, acompanhando a tramitação do PL 5.874/2025 e defendendo a apresentação e aprovação de emendas que contemplem a reestruturação.
Luis Genova observou que, embora essa seja uma forma legítima de pressão política, é fundamental que a categoria promova mobilizações para dar visibilidade às suas reivindicações.
Também foi reafirmada a importância de manter independência política e atuação crítica na defesa dos direitos, independentemente do governo de turno.
Desafios para novos servidores e estágio probatório

Os novos servidores ingressam em uma conjuntura difícil, marcada por restrições orçamentárias e redução estrutural do serviço público. Entre os principais desafios estão:
• Sobrecarga de trabalho e capacitação: além das atribuições cotidianas, precisam concluir cursos extensos da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), com exigência de aproveitamento mínimo, sob risco de desligamento no estágio probatório.
Diante desse cenário, foi apontada a necessidade de realizar palestras sobre direitos e deveres, responsabilidade civil, organização sindical e enfrentamento ao assédio moral e sexual. A proposta é garantir informação qualificada e acolhimento, especialmente para quem está em estágio probatório.
Também foi destacada a importância da construção de uma campanha permanente de combate ao assédio, com foco na conscientização e na criação de canais seguros de denúncia.
Houve ainda convite para que os novos servidores se filiem ao sindicato, conheçam a história da entidade e fortaleçam a organização coletiva.
Superintendência de São Paulo
A assembleia também tratou de questões específicas da Superintendência Regional em São Paulo. O prédio passou por reformas de acessibilidade e adequações contra incêndio após interdição judicial movida pelo sindicato, mas as intervenções foram consideradas insuficientes. O encerramento do contrato de manutenção predial, em razão da falência da empresa terceirizada, acende novo alerta sobre a conservação das instalações.
Outra demanda é o ressarcimento, via auxílio-transporte, aos servidores que utilizam ônibus fretado. O sindicato deverá formalizar nova solicitação para que o Incra cobre posicionamento definitivo do MGI. Paralelamente, o departamento jurídico avaliará outras iniciativas para assegurar o direito.
A previsão de redução no orçamento da superintendência em 2026 também preocupa, mas reforça a necessidade de organização interna e atuação articulada para minimizar impactos sobre as atividades finalísticas.
8 de março: fortalecer a luta contra a violência e as opressões
A assembleia deu destaque à convocação para o ato do Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras, em 8 de março, às 14h, no MASP, na Avenida Paulista.
O chamado ocorre em um contexto de aumento dos casos de violência contra a mulher, com registros frequentes de feminicídios, agressões, violência sexual e assédio. A ampla divulgação desses casos evidencia a gravidade da situação e reforça a necessidade de mobilização.
O Sindsef organizará uma coluna própria no ato, com faixas e cartazes. Servidoras e servidores que estiverem em São Paulo e puderem participar são convidados a somar forças. Fortalecer o 8M é fortalecer a luta contra toda forma de violência, opressão e exploração.





