1º de maio na Sé resgata caráter classista

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Na Praça da Sé, o ato referente ao Dia do Trabalhador, 1º de maio, teve participação significativa de pessoas ligadas a diversos sindicatos e movimentos sociais. Diretores, servidores da base e funcionários do Sindsef-SP marcaram presença.

Foi uma atividade vitoriosa, considerando que a manifestação retomou o verdadeiro sentindo da data e não foi uma festa cheia de sorteios e bandas conhecidas pela massa, como os “atos” da CUT e da Força Sindical, que mais pareceram palanques eleitorais, de um lado, do PT, do outro, do PSDB.

A programação começou com uma missa na Catedral em referência à luta pela democracia e contra a repressão, resgatando o papel que as pastorais sociais, ao lado dos movimentos reivindicatórios, cumpriram pelo fim da ditadura militar no Brasil.

Em seguida, na praça, houve intervenções dos movimentos populares, apresentações artísticas engajadas, a exemplo do grupo de cultura popular Kantuta Bolívia de imigrantes bolivianas e do hip hop Extremo Leste Cartel, e falas de representantes sindicais e de organizações políticas.

O dirigente do Luta Popular, Avanilson Araújo, lembrou que o 1º de maio é “Dia Internacional dos Trabalhadores, e não Dia do Trabalho, como estão fazendo parecer as centrais sindicais pelegas que estão atreladas aos governos”. Avanilson relatou a situação da Ocupação Esperança, que o Sindsef-SP apoia. Segundo ele, foi aberto um processo de negociação depois de muita luta.

Os despejos e remoções realizados por conta da Copa do Mundo foram alvo de críticas do Movimento de Ocupação Anchieta, da zona sul de São Paulo. “Temos que pressionar os governos e prefeituras para que olhem mais para o povo e, ao invés de priorizar Copa, trabalhe em prol da população. Nós não iremos desistir de forma alguma de lutar pelos nossos direitos. Isso eles não podem tirar de nós”, disse o líder, Leanir da Costa.

O movimento Terra Livre levou o debate sobre a criminalização dos movimentos sociais. “Existe a ameaça de manifestantes serem enquadrados como terroristas. Isso acontece porque, apesar do retorno da democracia, nenhum governo teve a coragem de acabar com a Lei de Segurança Nacional – um entulho da ditadura militar no Brasil – e, agora, precisamos lutar para que não seja aprovado o AI-5 da Copa”, afirmou o representante, em referência à Lei 12.663/2012, que dispõe sobre as medidas relativas ao megaevento, e o PLS 499/2013, que institui o crime de terrorismo no Brasil.

O Movimento Quilombo Raça e Classe não deixou passar em branco o racismo aumentado com a realização da Copa. “Os governos querem construir uma vitrine branca do nosso país”, disse Tamiris Rizzo.  A representante do movimento também garantiu que o povo vai às ruas lutar contra a criminalização dos movimentos sociais, da pobreza e da negritude: “O lugar dos que lutam não é dentro de jaulas, como macacos; mas nas ruas, como trabalhadores dignos que merecem políticas públicas que hoje são negadas”.

A luta contra o machismo foi abordada pela representante do Movimento Mulheres em Luta, Gabriela Arione. O MML destacou que as mulheres são hoje metade da classe trabalhadora, são as mais que sofrem com o assédio moral e sexual, têm os salários mais baixos e precisam lutar por salário igual para trabalho igual. “No país da Copa, o grande legado que nós estamos levando é o da violência. Quando pegamos o transporte público, somos assediadas. Não conseguimos chegar ao nosso local de trabalho com segurança. Nós não aceitamos essa realidade e fizemos uma campanha ‘Não me encoxa que eu te furo!’”.  Gabriela finalizou denunciando que é inadmissível que o governo invista 11 mil reais numa cadeira para a Copa do Mundo e somente 26 centavos por mulher para combater a violência.

Flávio Bandeira, do setorial LGBT da CSP-Conlutas, também falou aos presentes no ato sobre a luta contra a homofobia e pela sua criminalização. Disse esse tipo de opressão também os assola nos locais de trabalho. Fez o convite para que todos participem do bloco do setorial na Parada Gay que aconteceu no dia 4 de maio, bem como da caminhada lésbica um dia antes.

A integrante da Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL), Arieli Tavares, convidou a classe trabalhadora a participar do ato contra as injustiças da Copa, convocado para o dia 15 de maio. “Essa Copa do Mundo não é nossa. É dos governos e da Fifa”, afirmou. Fez um chamado pela unidade de todos os setores que se posicionem pela emancipação da classe trabalhadora: “A partir dessa união, é possível mudar a nossa sociedade e o país”.

O representante da CSP-Conlutas, Luiz Carlos Prates (o Mancha), mencionou as lutas internacionais travadas pelos trabalhadores. A Central prestou solidariedade aos metalúrgicos da General Motors demitidos na Alemanha e aos metroviários de Londres que estão em greve. Falou das mobilizações também encampadas no Brasil, como a dos trabalhadores da Imbel, empresa bélica de Itájubá-MG, em greve há quinze dias.

A atividade foi construída pela CSP-Conlutas, junto ao Fórum das Pastorais Sociais da Arquidiocese de São Paulo, Intersindical Central da Classe Trabalhadora, Intersindical, Unidos pra Lutar, Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Sinsprev e movimentos populares, entre os quais MTST, Terra Livre e Luta Popular, além dos partidos políticos PSTU, PSOL, POR, PCR e Arma Critica.

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