1º Encontro Nacional de Mulheres da CSP-Conlutas

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O 1º Encontro Nacional de Mulheres da CSP-Conlutas conta com 487 delegadas vindas de SP, RJ, MG, PR, SC, PA, LA, PE, CE, PB, RS, DF e AM, além de delegações internacionais, que lota o plenário na manhã desta sexta-feira (27), onde a reunião está sendo realizada. O objetivo deste encontro é debater a importância da organização de base para as mulheres trabalhadoras.

Neste contexto, Ana Pagamunici, membro Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, fez uma saudação analisando a conjuntura internacional e nacional e abordando a superexploração dos setores oprimidos pelo capitalismo.

Pagamunici lembrou que o Brasil governado por Dilma, primeira mulher eleita presidente em nossa história, está longe de defender políticas que atenda realmente as necessidades desta classe. “Não basta ser mulher, é preciso ter um programa que defenda a classe” reafirma. Infelizmente, os 16 meses deste governo mostra que Dilma optou por governar para banqueiros e empresários.

Dentro do debate sobre o que é a classe trabalhadora hoje, onde 56% das mulheres trabalhadoras estão no serviço público e 20% no privado e, que nos últimos anos tivemos 120% de adesão das mulheres no mercado de trabalho, é preciso ter políticas para que as mulheres conquistem sua autonomia.

As mulheres ganham 33% a menos que os homens, mesmo cumprindo a mesma função. Alem disso, são 35% nos serviços terceirizados. “Não é possível pensar na classe trabalhadora, sem pensar nas mulheres”, afirma Ana.

Dilma vetou a lei que exigia a aplicação de multa as empresas que pagavam salários inferiores às mulheres que cumpriam a mesma função dos homens. É preciso combater o machismo e essa luta é dos homens e das mulheres. A violência contra as mulheres também precisa ser combatida, pois os índices de agressão tem sido alarmantes.

“Não basta reafirmar que a luta das mulheres é importante, é preciso que a CSP Conlutas continue intensificando o encontro das mulheres nos sindicatos, na organização de trabalho, nas CIPAs, construção de creches entre outras reivindicações das mulheres”, avalia.  

Ana disse ainda que é preciso ocupar os espaços de discussão nos movimentos sociais de luta por moradia, onde a maioria são mulheres, como no caso do Pinheirinho. Todas estas políticas tem o sentido de garantir e fortalecer a organização das mulheres trabalhadoras.

“A atual conjuntura nos impõem dois desafios: organização nos espaços políticos e o nosso fortalecimento. Somente com a organização vamos construir uma proposta de luta para ser aprovada no 1º Encontro Nacional das Mulheres da CSP-Conlutas”, conclui.

A plenária contou com a participação da estudante Daniela, da Federação Nacional dos Estudantes da Costa Rica, que apresentou a experiência das mulheres do seu país e reafirmou que a unidade é fundamental para superar os ataques contra a classe trabalhadora e contra as mulheres.

Depois disso ocorreram outras saudações de ativistas sindicais e de movimentos sociais, além de divulgar experiências de organização de base no setor privado, público, movimento sindical e movimento popular.

 

Metalúrgicas

A companheira Rosangela, representando as mulheres trabalhadoras do Vale do Paraíba, parabenizou a CSP-Conlutas pelo debate sobre organização de base. A sindicalista falou da experiência e do fortalecimento das CIPAS, as delegacias sindicais e as comissões de fábrica, composta por mulheres.

Segundo ela, é fundamental o debate sobre organização sindical, “desde que existe o capitalismo, os trabalhadores precisam se organizar”, falou. Com a traição da CUT e com a política de retirada de direitos imposta pelo governo Dilma, contra a classe trabalhadora, “é preciso intensificar a organização dos trabalhadores e trabalhadoras para nos fortalecer em defesa dos nossos direitos e, para isso, precisamos trazer as mulheres para essas discussões”, continua.

Para Rosangela vários são os desafios das mulheres entre os quais dupla jornada, machismo, precarização do serviço com a terceirização e conquistar espaço dentro dos sindicatos e na política.

“A sociedade nos divide pela opressão e o machismo, por isso, a vinda das mulheres ao congresso nacional da CSP-Conlutas é fundamental”, ressalta.

 

Construção civil

A companheira Deuzinha, coordenadora geral do Sindicato da Construção Civil de Belém, trouxe as experiências do seu setor, retratando o crescimento da mão de obra feminina.  “Em 2006 eram 99 mil trabalhadoras nos canteiros de obras e em 2010 já são 180 mil”, conta. O próximo passo foi ocupar os espaços do sindicato e construir a Secretaria de Mulheres. Com isso, a campanha salarial da categoria incorporou todas as reivindicações das operárias.

“As nossas dificuldades, como em todos os locais, é o assédio moral, sexual e o machismo. Lutamos também por escolas e hospitais. Mas é preciso combater acima de tudo, o machismo dentro dos canteiros de obras”, pondera.

As mulheres da construção civil tem atendido o chamado da CSP Conlutas e do sindicato, “a grande vitória da nossa organização foi a participação de 46 operárias no debate de mulheres no oito de março, e hoje estamos em sete operárias presentes no 1º Congresso Nacional da Conlutas”, conclui Deuzinha.

Após abertura para o plenário, o encontro foi interrompido para o almoço e retorna a partir das 15h.

 

 

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