Após 2 anos, ato recorda desocupação do Pinheirinho

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Manifestação foi realizada no bairro do Putim, próximo à área onde deverão ser construídas as casas para os ex-moradores

“Não esqueceremos”, dizia o texto de uma faixa exibida durante o ato de 2 anos da violenta e injustificada desocupação das famílias do Pinheirinho, em São José dos Campos. Na madrugada do dia 22 de janeiro de 2012, mais de dois mil policiais e um forte aparato, incluindo helicópteros, cavalaria e tropa de choque, cercaram a área para expulsar 1.800 famílias de suas casas.

Durante o ato realizado na manhã desta quarta-feira, dia 22, a truculência policial, a violação de direitos humanos e a insensibilidade social de governos e da Justiça foram lembrados por quem sofreu tudo isso na pele, durante o episódio que ganhou repercussão nacional e internacional.

A manifestação foi realizada no bairro do Putim, próximo à área onde deverão ser construídas as casas para os ex-moradores. Após muita luta, os governos municipal, estadual e federal tentam acertar as agendas para assinar o contrato de construção das casas em fevereiro.

Desde a desocupação, os moradores estão tentando sobreviver com o pagamento de um aluguel social de R$ 500 –insuficiente para uma casa em São José– e querem urgência na construção das moradias no novo local, já batizado como Pinheirinho dos Palmares (em memória ao Quilombo dos Palmares).

Ato Com participação de cerca de 400 pessoas, o ato contou com várias intervenções que relembraram os momentos dramáticos da desocupação de um bairro inteiro, com casas, comércios e igrejas.   Além de lideranças dos ex-moradores, estiveram presentes representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, CSP-Conlutas, Admap (associação de aposentados), PSTU, PSOL, PT, parlamentares, a presidente da Câmara, Amélia Naomi, e o chefe de gabinete da Prefeitura, Marcos Aurélio dos Santos.

O padre Ronildo Aparecido da Rosa, pároco da igreja da região do Pinheirinho e um apoiador do movimento, narrou o encontro que teve com a juíza que ordenou a desocupação, Márcia Loureiro, dias antes do episódio. “Eu olhei bem nos olhos dela e disse que aquela decisão [de retirar as famílias] era imoral”, afirmou o religioso, que também criticou a mídia, que, em suas palavras, “apoiou os poderosos”.

“Na retirada das famílias do Pinheirinho, ocorreu uma série de abusos da polícia comandada pelo senhor Geraldo Alckmin (PSDB). Um dos casos mais chocantes foi a ação de um grupo de policiais da Rota, que invadiu uma casa na região e estuprou seus moradores”, relatou o deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP).

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos também falou da violência utilizada para retirar as pessoas de suas moradias. “A desocupação do Pinheirinho foi um verdadeiro massacre, que foi notícia em todo o país e fora dele. Foi uma covardia tremenda, que precisa ser reparada integralmente. Sempre apoiamos a luta pela moradia e agora queremos ver estas casas sendo construídas o mais rápido possível”, afirmou Antônio Ferreira de Barros, o Macapá.   Helicóptero e tiros de borracha O advogado e uma das principais lideranças dos moradores, Toninho Ferreira, fez um discurso em que lembrou do fatídico dia 22 de janeiro de 2012.

“A população do Pinheirinho foi acordada ao som de helicópteros e dos tiros de balas de borracha, e foi retirada de suas casas de forma irregular e extremamente violenta. Sempre tivemos a tradição de celebrar o dia 25 de fevereiro, que foi a data em que ocupamos a área. Desta vez, lembramos os fatos terríveis do dia 22 de janeiro para que todas essas arbitrariedades jamais sejam esquecidas”, disse Toninho.

O advogado, que também é presidente do PSTU em São José dos Campos, afirmou que, com a construção das casas no bairro do Putim, as famílias do Pinheirinho vão poder trazer a sua experiência de promover mobilizações para conquistar melhorias a toda a região.

“Queremos que estas casas fiquem prontas o mais rápido possível e, junto com as moradias, que sejam feitas unidades básicas de saúde, escolas e obras de mobilidade que aproximem mais as pessoas daqui ao centro da cidade. Tenho certeza que, com a experiência de luta dos companheiros do Pinheirinho, somada à ótima recepção dos moradores que já estão instalados aqui, conseguiremos muitas melhorias para toda comunidade”, afirmou.

Ao final do ato, as famílias do Pinheirinho fizeram uma ocupação simbólica no terreno onde deverão ser construídas as casas. A luta continua para garantir que isso aconteça o mais rápido possível.  

 

Fonte: Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

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