Ato no DOI-Codi exige punição para os colaboradores da ditadura militar e homenageia vítimas

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Exatamente no dia em que o golpe militar de 1964 completa 50 anos, centenas de pessoas tomaram o pátio do antigo Departamento de Operações de Informações – Centro de Defesa Interna (DOI-Codi), atual 36º Distrito Policial (DP), em um ato político unificado para exigir, entre outras coisas, identificação e punição dos torturadores, estupradores, assassinos, mandantes, financiadores e ocultadores de cadáveres.

O local do evento era um dos principais centros de repressão e tortura do Brasil. Naquele lugar, segundo dados da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva”, cerca de 8 mil pessoas foram torturadas entre 1969 e 1978. Além disso, ali pelo menos 56 militantes políticos foram mortos. Entre eles, o jornalista Vladimir Herzog, em 1975.

Nada mais justo que as instalações do antigo DOI-Codi sejam transformadas em um memorial em homenagem às vítimas, aos mortos e aos desaparecidos políticos da ditadura militar, como foi feito com a antiga sede do Dops (Departamento de Ordem Política e Social). Essa é uma das propostas apresentadas no manifesto assinado por mais de 140 entidades, movimentos e organizações, entre elas, a CSP-Conlutas, o Luta Popular e a Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL).

O manifesto, lido no começo do ato, pede, ainda, o imediato cumprimento da decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso Araguaia e reinterpretação da Lei da Anistia de 1979; a localização e identificação dos corpos dos desaparecidos políticos e esclarecimento das circunstâncias e dos responsáveis por suas mortes; a desmilitarização das polícias e rompimento do ciclo de violência perpetuado pelas corporações e; imediata abertura de todos os arquivos da ditadura, em especial da polícia técnico-científica do estado de São Paulo.

A programação contou com uma série de apresentações artísticas. Houve apresentação do Coral Martin Luther King e de sete grupos teatrais, como o Teatro Popular Cara e Coragem, o Teatro Popular União e Olho Vivo (TUOV) e o Teatro Studio Heleny Guariba.  Chamou atenção a performance das Mal-Amadas com a forte interpretação do monólogo da personagem Amélia, torturada por agentes do regime. Muita gente não conseguiu controlar as lágrimas.

A personagem não foge do que aconteceu nos anos de chumbo. A verdadeira Amélia Teles estava lá. Ela passou um ano presa no DOI-Codi e, com o fim da ditadura, foi uma das fundadoras da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.  “Vi amigos serem mortos aqui. Vi minha irmã, grávida de oito meses, levar choques na barriga. Aqui foi lugar de estupro. Eu fui torturada aqui”, disse.

O Sindsef-SP esteve presente e distribuiu o encarte especial sobre o tema, publicado recentemente, junto ao jornal da entidade. Para a diretora Bernadete Serafim, “relembrar o período do regime e as pessoas que morreram lutando pela democracia é importante para que isso não ocorra nunca mais”. 

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