Em defesa do INPE e de diretor da entidade, servidores se mobilizam contra Bolsonaro

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Os servidores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), estudiosos das áreas de ciências e tecnologia, realizaram um ato na tarde desta segunda-feira (22) em repúdio às declarações de Bolsonaro (PSL). Os manifestantes também demonstraram solidariedade ao diretor do órgão, Ricardo Magnus Osório Galvão, que recebeu críticas do presidente na última sexta-feira (19).

Bolsonaro afirmou considerar negativa a divulgação de dados que apontam um crescente desmatamento na Amazônia, dizendo que a atitude “prejudica o país”. Além disso, declarou que o INPE utilizaria dados mentirosos e que Galvão, diretor do órgão, atua “a serviço de alguma ONG”. Também voltou a mencionar a tal “psicose ambiental” no país, dizendo ainda que a divulgação desse tipo de informação “dificulta” negociações comerciais exteriores. 

O presidente não se envergonhou de colocar o instituto sob censura. Disse que antes de divulgar os dados, o INPE deve avisar o ministro Marcos Pontes, de Ciência e Tecnologia e que ele deve ser informado para não ser surpreendido. “Eu não posso ser surpreendido por uma informação tão importante quanto essa daí. Eu não posso ser pego de calças curtas por aí, como eu acabei de falar para vocês, né?”. A frase de Bolsonaro reafirma o medo dos que tem algo a esconder: a destruição do meio ambiente no Brasil em favor do agronegócio.

Em resposta imediata à declaração, Galvão afirmou abertamente para a imprensa que Bolsonaro foi covarde ao tentar desacreditar as pesquisas desenvolvidas pelo INPE, sem qualquer embasamento científico ou respeito ao trabalho do instituto.

As declarações do presidente provocaram reações negativas. A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) foi uma das instituições que se manifestaram. “Desmerecer instituições científicas da qualificação do INPE gera uma imagem negativa do País e da ciência que é aqui realizada. Reafirmamos nossa confiança na qualidade do monitoramento do desmatamento da Amazônia realizado pelo INPE, conforme a carta anteriormente enviada ao Presidente da República, e manifestamos nossa preocupação com as ações recentes que colocam em risco um patrimônio científico estratégico para o desenvolvimento do Brasil e para a soberania nacional.”

Relações tensas – O desmatamento em junho desse ano, em relação ao mês em 2018, sofreu aumento de 60%, perdendo 762 km² de mata nativa. No entanto, esse apontamento do INPE e demais denúncias que dizem respeito aos prejuízos ao Meio Ambiente têm sido repetidamente negados pelo governo. 

As relações entre Bolsonaro e as instituições da área ambiental têm sido conflituosas desde o início de sua gestão.Fiscais do Ibama, por exemplo, declararam sob condição de anonimato – em reportagem de 15 de julho da Folha de SP – que existe uma forte perseguição ao trabalho de fiscalização, e que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, escolhido com aval da bancada ruralista, ressalta o “viés ideológico” do modo de governar.

A estreita relação presidente e bancada ruralista, assim como o agronegócio e madeireiros, não só provoca a destruição do meio ambiente como é uma ameaça fatal aos povos da floresta como os povos indígenas, quilombolas, castanheiros e trabalhadores rurais. Ameaçados de morte, perseguições e assassinatos com o aval do governo que não pune assassinos e mandantes.

Em meio a este cenário, o posicionamento público de Galvão em resposta a Bolsonaro teve apoio da comunidade científica brasileira e dos servidores que atuam na área ambiental e de pesquisa e tecnologia.

Ato em defesa do INPE – Uma manifestação em São José dos Campos, interior de São Paulo, foi realizada por servidores do INPE, cientistas e apoiadores em apoio ao diretor da entidade e repúdio às recentes declarações de Bolsonaro contra o instituto. A ação foi organizada pelo SindCT e contou com diversas entidades da região. Entre elas, estão o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Vale do Paraíba (Admap), Apeoesp, CSP-Conlutas, além dos partidos PSTU, PSOL e PT.

 

Fonte: CSP-Conlutas

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