Encontro nacional reafirma que “na Copa vai ter luta” e divulga calendário de mobilizações

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Em uma emocionante demonstração de disposição para lutar por melhores condições de trabalho e vida para todos e contra as opressões, trabalhadores e estudantes de diversos estados do Brasil, participaram do Encontro Na Copa Vai Ter Luta, do Espaço Unidade de Ação, no último sábado (22/03). A delegação do Sindsef-SP marcou presença.

A quadra do Sindicato dos Metroviários de São Paulo acomodou os mais de 2500 ativistas, que ocupam mais dois espaços com transmissão simultânea em telões. O encontro foi bem sucedido, mesmo depois de ter sofrido perseguição por parte de colunas da Veja e do R7, que lançaram notícias mentirosas, e também por parte dos governos.

Pela manhã, representantes da CSP-Conlutas, Condsef, Feraesp, Jubileu Sul e A CUT Pode Mais fizeram saudações aos presentes. Foram convidados à mesa garis que protagonizaram a greve vitoriosa durante o carnaval, operários grevistas do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e rodoviários de Porto Alegre.

Atnágoras Lopes, membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, relacionou a ofensiva de criminalização que o evento sofreu com os 50 anos do golpe militar. “Estamos enfrentando resquícios da ditadura para realizar esse encontro. A defesa da liberdade não se resume a uma única categoria”, disse. Para a Central, devemos enfrentar a repressão e lutar contra as injustiças da Copa do Mundo e da Fifa.

O sindicalista citou os exemplos de conquistas através da luta dado pelos garis do Rio de Janeiro e dos trabalhadores da Comperj, finalizando com a afirmação de que “não somos categorias, somos uma só classe, lutando por liberdade” e pautando como prioridade da CSP-Conlutas a contribuição na solidificação de “uma alternativa classista para combater o capital e libertar a alma da classe trabalhadora”.

Três garis do Rio de Janeiro tiveram um espaço de destaque na mesa. Eles denunciaram o descaso dos governantes e burguesia com os trabalhadores, chamando de “minoria” e “povo analfabeto” numa tentativa de desqualificação do movimento. “Como não nos atenderam, acabamos com o carnaval. Os turistas viram a montanha de lixo que se acumulou nas ruas do Rio de Janeiro”, afirmou William sob muitos aplausos. “Gari, escuta, sua luta é nossa luta!”, gritaram os participantes.

À tarde foi o momento dos participantes se distribuírem em grupos de trabalho, com objetivo de discutir e encaminhar propostas de ações conjuntas para o próximo período. Os temas dos grupos foram: criminalização dos movimentos sociais, discriminação e violência; luta contra opressões; defesa dos serviços públicos – contra as privatizações; passe livre e transporte público; financiamento público para a educação pública; luta por moradia e direito à cidade; reforma agrária; direitos da aposentadoria; luta contra as terceirizações, liberdade de organização sindical; saúde do trabalhador; cultura e; descriminalização das drogas.

Após o debate, o encontro foi para a rua. Com a palavra de ordem “Dilma, escuta, na Copa vai ter luta”, entre tantas outras, os ativistas fizeram uma passeata nas proximidades do local do evento, passando pela Radial Leste.

A programação final contou com a mesa de apresentação dos debates dos grupos de trabalho. Antes, foram feitas saudações do Comitê Popular Contra a Copa, do setorial internacional da CSP-Conlutas e dos ativistas sul-africanos, Hlokosa Montau e Thando Manzi.

Como na reunião nacional da CSP-Conlutas, que aconteceu no dia anterior, a saudação dos sul-africanos começou com “Amandhla, Aweto”, que significa “Poder, ao povo”.

Diretor de um Sindicato dos Metroviários em seu país, Hlokosa Montau falou da reorganização das forças dos trabalhadores em nível internacional e saudou os grevistas no Brasil. Explicou o apoio às lutas no Brasil: “Nós apoiamos porque acreditamos em uma revolução da classe trabalhadora e essa revolução não pode acontecer só no Brasil, ela precisa acontecer em todo o mundo”.

Cartões vermelhos

Thando Manzi, membro do Centro de Direitos Civis de uma universidade, emocionou ao dizer: “Eu sou um jovem negro da África do Sul, e ser negro é lutar permanentemente”. O estudante destacou que, no Brasil, da mesma forma como na África do Sul, a pergunta que ele faz em relação à Copa é: quem vai ganhar com isso?

“Os africanos deram seis cartões vermelhos para o governo e a Fifa em 2012. O primeiro foi sua opção por prioridades duvidosas e para gastos sem limites. O segundo foi dado pela sua corrupção e gastos descontrolados. O terceiro foi em função da crise econômica aprofundada pelas enormes dívidas provocadas pela Copa. O quarto é pelas enormes promessas feitas e quebradas. O quinto é pela suspensão às liberdades democráticas. E o sexto é pela repressão aos protestos contra a Copa”, disse Manzi.

Manifesto e calendário de mobilizações

Após oito horas de discussões, os participantes, de diferentes entidades sindicais, estudantis, sociais e populares, aprovaram o manifesto “Carta de São Paulo: Vamos voltar às ruas – Na Copa vai ter luta” e o calendário de mobilizações.

O manifesto acumula o que foi discutido no encontro, denunciando os gastos exorbitantes dos governos com as obras da Copa do Mundo, a falta de investimento em serviços públicos e a violência e a criminalização das lutas dos movimentos sociais. Além disso, chama o apoio e a unificação das lutas que já estão em curso e das bandeiras da classe trabalhadora.

 

Para o diretor do Sindsef-SP, Ismael Souza, “esse encontro proporcionou aos trabalhadores de diversos setores saber, através dos debates, quais são os problemas em comum e o que cada categoria pode fazer para enfrentá-los. É preciso unificar as lutas, porque entendemos que a precarização, os ataques, o abandono e o descompromisso estão presentes em todas as áreas”.  

 

Confira abaixo o manifesto:

 

CARTA DE SÃO PAULO
Vamos voltar às ruas!
NA COPA VAI TER LUTA

 

Chega de dinheiro para a FIFA, grandes empresas e bancos!
Recursos públicos para saúde, educação, moradia, transporte público e reforma agrária!
Basta de violência e de criminalização das lutas populares! Ditadura nunca mais!

 

O país se prepara para a Copa do Mundo, nosso povo gosta de futebol e quer apoiar a seleção brasileira. O governo e a mídia tratam de transformar tudo isso em uma grande festa nacional e internacional.  Mas nada disso pode esconder uma certeza: o Brasil vai se consagrando como campeão da desigualdade, injustiça, exploração e violência contra seu próprio povo.

 Estamos convivendo com o caos da saúde pública, o descaso com a educação, a precariedade do transporte e nos serviços públicos, nas três esferas, assim como a falta de moradia e de terra para plantar e produzir alimentos. Desde junho do ano passado este tem sido o grito cada vez mais alto dos trabalhadores e da juventude brasileira. Os governos –federal, estaduais e municipais – não atendem as reivindicações dos que lutam. Nunca tem verbas para atender as necessidades do povo.

 Para bancos e grandes empresas nunca faltam recursos. O governo isenta as empresas de pagar impostos, repassa quase metade do orçamento para os banqueiros todos os anos através do pagamento da dívida pública. Além disso, o patrimônio publico é privatizado e entregue aos empresários, do petróleo aos portos, aeroportos e estradas.

 Isto condena os trabalhadores a uma condição de vida cada vez pior. Dentro da classe trabalhadora, as mulheres, negros e negras e LGBT’s sofrem ainda mais com essa política, pois estão também sujeitos a toda sorte de discriminação e violência. Na periferia das grandes cidades a única presença visível do Estado é a da polícia, promovendo um verdadeiro genocídio contra a juventude e a população pobre e negra.

 As mobilizações dos trabalhadores e demais segmentos são violentamente atacadas pela polícia. Há uma escalada militarista e um processo de criminalização dos ativistas e jovens lutadores, com prisões, inquéritos policiais e administrativos, e demissões dos que lutam. Esta política tem sido praticada pelos governos dos estados (PMDB, PSDB, PSB, PT e etc).

 Mas o governo Dilma segue o mesmo caminho, colocando a Forca Nacional de Seguranca e o Exército Brasileiro a serviço da repressão das lutas populares. Tudo isso acontece quando se completam os 50 anos da instauração da ditadura militar no Brasil. Ao invés de punir os torturadores do passado e revogar toda a legislação antidemocrática faz o contrário, não atende as necessidades da população e quer impedir o povo de lutar por seus direitos, assim como na ditadura. Lamentável!

 Os trabalhadores estão lutando e buscando fazer ouvir a sua voz. Assim o fizeram os garis do Rio de Janeiro, em pleno carnaval carioca mostraram ao mundo a real situação a que são submetidos. Assim também fizeram os rodoviários de Porto Alegre (RS), os operários do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) e tantas outras categorias, como os servidores federais que estão iniciando sua campanha salarial deste ano. O movimento popular luta sem trégua por moradia e por melhores condições de vida nos bairros.

 

Na Copa, vamos ocupar as ruas

 A Copa do Mundo é mais uma expressão desta política desigual que privilegia poderosos e impõe situação de penúria à maioria da população. O governo federal e dos estados estão gastando mais de 34 bilhões de reais com a construção e reforma de estádios, aeroportos outras obras para a Copa, dinheiro colocado nas mãos de empreiteiras, enquanto a população pobre é despejada de suas casas para dar lugar a essas obras.

 Chega! Vamos dar um basta nesta situação. Vamos apoiar e unificar as lutas que já estão em curso e unificar as nossas bandeiras. Voltaremos às ruas com grandes mobilizações sociais em todo o país no período da Copa do Mundo. Vamos mostrar ao mundo que o que acontece de fato no Brasil é a destinação do dinheiro público para as mãos de poucos beneficiados, entre eles a Fifa, grandes empresas e bancos. Nós queremos recursos públicos para saúde, educação, moradia, transporte público e reforma agrária!

 Vamos voltar às ruas!

 

 Nossas reivindicações:

– Chega de dinheiro para a Copa, Fifa e para as grandes empresas! Recursos públicos para a saúde e educação! 10% do PIB para a educação pública, já! 10% do orçamento federal para a saúde pública, já!

– Chega de dinheiro para os bancos! Suspensão imediata do pagamento das dívidas externa e interna! Dinheiro para a moradia popular e para o transporte coletivo! Tarifa zero já! Transporte e moradia são direitos de todos!

– Chega de arrocho salarial e desrespeito aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras! Fim do fator previdenciário! Aumento das aposentadorias! Anulação da reforma da Previdência de 2003 e do Funpresp!

– Respeito aos direitos dos trabalhadores assalariados do campo e agricultores familiares! Reforma agrária e prioridade para a produção de alimentos para o povo!

– Chega de privatizações! Reestatização das empresas privatizadas! Petróleo e Petrobras 100% estatal! Estatização dos transportes!

– Basta de machismo, racismo, homofobia e transfobia!

– Respeito aos direitos dos povos originários, quilombolas e indígenas!

– Basta de violência, repressão e criminalização das lutas sociais! Desmilitarização da PM!  Arquivamento de todos os inquéritos e processos contra movimentos sociais e ativistas! Liberdade imediata para todos os presos! Revogação das leis que criminalizam a luta dos trabalhadores e da juventude! Ditadura nunca mais!

 

Plano de lutas

Vamos transformar nossa indignação em um amplo processo de mobilização social para defender nossas demandas e reivindicações. Lançamos este Manifesto como um chamado a todos e todas que neste pais querem lutar por uma vida melhor. E orientamos a realização de encontros e plenárias em todos os estados, que reúnam todos os lutadores e lutadoras de cada região, preparando de forma concreta as mobilizações previstas no calendário de lutas.

 

Calendário

 A organização das manifestações começa efetivamente em abril e maio, com a realização de plenárias nos estados. Entre os dias 1º e 3 de maio, acontecerá o I Encontro de Atingidos por Megaeventos e Megaempreendimentos, em Belo Horizonte (MG). Haverá ainda o Dia Internacional contra as Remoções da Copa, marcado para 15 de maio. Segue abaixo o calendário.

 – 22 de março: Encontro Nacional “Na Copa vai ter luta”.

 – Abril e maio: Realização dos encontros plenárias nos estados para organizar o calendário de lutas.

 – Abril: Realização de um ato nacional contra a criminalização das lutas, dirigentes e ativistas, da população pobre e de periferia, vinculando ao aniversário dos 50 anos do golpe militar de 1964. Ampliar essa iniciativa para além dos movimentos sociais, procurando outras entidades como a OAB, ABI, Comissão Justiça e Paz, Comissões de Direitos Humanos etc.

 – 28 de abril: Dia de luta e denúncia dos acidentes de trabalho.

 – Abril e maio: Jornada de lutas convocada por vários segmentos do movimento popular para defender o direito à cidade (moradia, transporte e mobilidade, saneamento etc.).

 – 1º de maio: O Dia Internacional do Trabalhador/a será com a organização e participação em atos classistas.

 – 1º a 3 de maio: I Encontro de Atingidos por Megaeventos e Megaempreendimentos (Belo Horizonte – MG).

 – 15 de maio: Dia Internacional contra as Remoções da Copa.

 – 12 de junho: Abertura da Jornada de Mobilizações “NA COPA VAI TER LUTA”, com grandes mobilizações populares em todas as grandes cidades do país.

 – Período dos jogos da Copa: realização de manifestações nos estados conforme definição dos encontros e plenárias estaduais

 – 15 e 16 de julho: Mobilizações contra a Cúpula dos BRICS (Fortaleza).

 – 1º a 7 de setembro: Semana da Pátria e Grito dos/as Excluídos/as, com o lema: “Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos”.

 

Entidades que assinam o manifesto “Carta de São Paulo”:

 CSP-Conlutas
A CUT Pode Mais (RS)
Feraesp
Condsef
Jubileu Sul
Fenasps
Andes-SN
Sinasefe
FNTIG
FNP
Conafer
Cobap
Asfoc
Sindicato dos Metroviários de São Paulo
CPERS
Simpe (RS)
APCEF (RS)
Sindserf (RS)
Sindjus (RS)
Sindicato dos Aeroviários (RS)
ANEL
MTL
Luta Popular
Quilombo Raça e Classe
MML
Coletivo Construção Juntos

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