Crítica: Filme Carvão

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CARVÃO

Brasil/Argentina – 2022 – 107 minutos
Em cartaz nos cinemas
Exibição: de 20 a 25 de janeiro, às 20 horas, na sala Paulo Emilio do Centro Cultural São Paulo (CCSP). Valores: R$4,00 (inteira) e R$2,00 (meia). Também está em cartaz em outros cinemas.

É bastante comum filmes cujo “plot” se centraliza na desestabilização que a chegada de um estranho, de um forasteiro, provoca num casal, numa família ou numa comunidade: é o que ocorre aqui.

Numa cidade do interior, Irene (Maeve Jenkings, excepcional como sempre), seu marido Jairo (Rômulo Braga, bom) e o garoto Jean (Jean de Almeida Costa, surpreendente) sobrevivem precariamente com uma carvoaria anexa à precária casa em que vivem.

Na primeira imagem do filme a câmera adentra a moradia através de uma janela com vidros sujos, quebrados ou até mesmo com buracos expostos. Irene é a mais insatisfeita, ignorada pelo esposo (cuja homossexualidade é mal explorada pelo roteiro) e tendo ainda o fardo de cuidar de Silvino Santos (uma piscadela para os historiadores do cinema), seu idoso pai, vítima de um derrame que o imobilizou.

Sabendo das agruras financeiras da família, numa de suas visitas esporádicas, a enfermeira Juracy (Aline Marta Maia) propõe que internem o velho doente e acolham provisoriamente o traficante foragido, dado como morto, Miguel (César Bordón, notável). Trancafiado num apertado quarto, que divide com o menino, já que que sua presença não pode chegar ao conhecimento dos moradores das imediações, Miguel passa os dias numa tensão crescente ao mesmo tempo em que interfere no comportamento de todos.

Em seu primeiro longa-metragem, a diretora e roteirista Carolina Markowicz demonstra talento nas opções narrativas da linguagem cinematográfica empregada.

A visita inesperada da bisbilhoteira Luciana (Camila Márvida), amiga do casal, resulta numa cena de clima estressante.

Formalmente, a concepção plástica da fotografia de Pepe Mendes quase que nos faz esquecer quão sofrível é o ambiente por onde circulam as personagens.

Exibido no prestigiado segmento Première Brasil do Festival do Rio, o filme foi laureado com o prêmio de melhor roteiro e de melhor atriz coadjuvante para Aline Marta Maia.

Um filme de estreia bastante aceitável, embora não seja arrebatador. Mas merece, sim, ser conhecido.

Por Luiz Gonzaga Fernandes

Imagem: Cena do filme Carvão – Fotografia de Pepe Mendes

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