#NaCopaVaiTerLuta: Ato defende direitos históricos e acaba com forte repressão por parte do Estado

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“Não pode colocar um pé na Radial”
, disse o comandante da Polícia Militar ao “negociar” com a organização do Ato #NaCopaVaiTerLuta em São Paulo. O Ato não se deslocou, mas foi reprimido pela Tropa de Choque, que atirou bombas de efeito moral e balas de borracha contra os manifestantes.

PM não cumpre com a palavra

Durante a concentração da manifestação, o comandante da operação havia garantido que não haveria ataque caso os ativistas permanecessem na rua Serra do Japi, em frente a quadra dos metroviários. “Nós pretendíamos fazer uma passeata pacífica, mas a quadra está completamente sitiada pela Tropa de Choque”, explicou o presidente do Sindicato dos Metroviários no carro de som.

A repressão aconteceu após um grupo, vindo do outro protesto brutalmente atacado pela PM na estação Carrão do Metrô, tentou se aglutinar ao Ato e terminou sendo vítima de mais violência policial. Dessa vez, junto a cerca de dois mil militantes convocados pela CSP-Conlutas em parceria com movimentos, organizações e sindicatos, entre eles, o Sindsef-SP, o Sintrajud, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo, o Sintitest-PR e o Andes-SN.

Apesar dos sindicalistas e integrantes de movimentos organizados se separarem por um cordão humano de um grupo de provocadores possivelmente infiltrados (que desrespeitavam os lutadores até com tentativas de agressões físicas), a Tropa de Choque atacou pelas duas saídas da rua, passando pelo meio do Ato pacífico e agredindo a todos.

Uma nuvem de gás lacrimogêneo tomou conta do local. Naquele tumulto, pelo houve pelo menos 02 feridos e muitos machucados por bala de borracha. Um cinegrafista e militante teve lesões graves nas duas mãos tentando se defender. A ação da PM foi tão irresponsável que uma bomba de gás atingiu um posto de combustível, por sorte, não houve uma tragédia, mas bastante fumaça preta.

Dilma, escuta, na Copa já tem luta! Ato ganha repercussão internacional

Apesar do confronto, o Ato #NaCopaVaiTerLuta em São Paulo foi considerado vitorioso, porque inicialmente, a PM sequer concordou em deixar a passeata acontecer ocupando uma via da Avenida Radial Leste, mesmo com escolta.

A manifestação aconteceu e chamou atenção da imprensa internacional, que destacou os protestos em todo o país e deixou de lado a festa da FIFA, a exemplo da TV americana CNN (principalmente devido ao “incidente” com dos seus dois repórteres), da agência francesa Associated Press, do jornal inglês The Telegraph e do italiano Gazzetta Dello Sport.

Os participantes questionaram os gastos com a Copa, reivindicaram valorização dos trabalhadores e investimentos em educação, saúde e transporte públicos. Exigiram, ainda, a readmissão dos metroviários demitidos pelo governo Alckmin por participar da greve da categoria.

Não se sabe o número exato de presos e feridos pela PM nos protestos no Estado. Há informação de que pelo menos 04 repórteres foram atingidos por estilhaços de bombas.

 

 

Por Lara Tapety 

 

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