O Sindsef-SP também quer saber, onde está Amarildo e quem matou Ricardo?

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Os episódios de violência por parte da polícia durante a jornada de lutas que aconteceu em junho trouxeram a tona o tema da desmilitarização desta instituição. As ações policiais truculentas nas periferias ganharam espaço no debate público. Dois casos de possíveis extermínios realizados pela Polícia Militar estão repercutindo na mídia e as perguntas que não calam são: “onde está Amarildo?” e “quem matou Ricardo?”. O Sindsef-SP também quer saber.

Amarildo de Souza Lima, ajudante de pedreiro, 47 anos, pai de seis filhos, morador da Rocinha, desapareceu em 14 de julho após ser levado por policiais da Unidade Policial Pacificadora (UPP), no Rio de Janeiro/RJ. Apesar de não fazer parte da lista de suspeitos da “Operação Paz Armada”, que mobilizou 300 policiais um dia antes, foi abordado “para averiguação” e levado sem resistência pela polícia. Ele portava documentos comprovando que era trabalhador. Mas, simplesmente sumiu depois que foi levado para o Comando da UPP.

Numa clara tentativa de criminalizar a vítima, o delegado Ruchester Marreiros afirmou que Amarildo e sua esposa Elisabete tinham ligação com o tráfico e que foi morto por traficantes. Porém, a versão é contestada pelo delegado titular do mesmo posto, Orlando Zaccone: “Eu não posso corroborar que as pessoas que moram perto ou junto ao tráfico de drogas em qualquer lugar desse país sejam [consideras] traficantes por simplesmente morarem em lugares pobres”, disse.

Já Ricardo Ferreira Gama, funcionário terceirizado da Unifesp Baixada Santista, foi assassinado em 02 de agosto por quatro homens encapuzados dois dias depois de ter sido agredido por policiais militares em frente à Unidade Central, na Rua Silva Jardim, em Santos/SP. Segundo o DCE da Unifesp, no dia seguinte após a agressão, de volta ao trabalho, Ricardo disse que foi procurado em sua casa pelos mesmos policiais e que sofreu ameaça: caso a denúncia continuasse sendo levada adiante, “iam resolver de outro jeito”. Mesmo sem registrar qualquer ocorrência, o funcionário foi sumariamente executado com oito tiros em frente de sua casa.

Violência policial e a desmilitarização

Os casos de Amarildo e Ricardo não são isolados da realidade de um sistema que treina homens para matar. A polícia militar cumpre o papel nefasto de torturar e exterminar pessoas em nome de uma ordem opressora. Aniquilação de “Amarildos” e “Ricardos” são comuns nas periferias. Pobres, negros e negras conhecem bastante a violência policial, as prisões ilegais, desaparecimentos e assassinatos.

Estudos apontam que a violência policial é consequência, entre outros fatores, do militarismo. O treinamento militar, muitas vezes por meio de humilhação e violência, favorece que os policiais violentem os direitos de um suspeito. Não se pode esperar paz de uma corporação feita para a guerra, para exterminar o inimigo. E quem é o inimigo da polícia militar? O cidadão que está abaixo na hierarquia da instituição e na base da pirâmide das classes sociais, o “elemento” que se manifesta ou que comete um crime.

Os números das mortes registradas como “autos de resistência” pela PM são alarmantes. Somente no Rio de Janeiro, entre 2001 e 2011 mais de 10 mil “Amarildos” foram mortos pelas mãos da polícia militar em circunstâncias que nunca foram esclarecidas, apontam dados da OAB-RJ. Em São Paulo, segundo o Mapa da Violência 2012, a corporação matou quase 4 mil entre 2005 e 2011.

A desmilitarização da polícia é um importante passo para evitar mais sumiços de “Amarildos” e execuções de “Ricardos”. É necessário repensar o papel social da corporação, acabar com a doutrina que considera o suspeito como um inimigo, e substituí-la pelo respeito aos direitos do cidadão, independente de classe, cor, etnia, gênero e sexualidade.

O Estado deve mudar sua política burra de criminalização e extermínio, responsável pelo crescimento assustador da violência através dos seus braços armados. A truculência deve ser substituída por uma gestão da segurança pública sob controle popular, como uma polícia civil unificada, capaz de lidar com os conflitos causados pelas contradições deste sistema de forma humanitária. Até porque a repressão policial jamais vai impedir que os trabalhadores lutem por uma sociedade melhor.

30 de agosto

O dia 17 de junho, quando milhões de pessoas foram às ruas em todo o país, deixou claro que o povo brasileiro não concorda com os métodos da PM. O dia 11 de julho mostrou que os trabalhadores organizados estão dispostos a parar o Brasil em defesa de suas reivindicações, como por investimentos em saúde e educação públicas. A próxima grande mobilização está chegando. Será o Dia Nacional de Paralisações, convocado pela CSP-Conlutas, em conjunto com uma série de entidades e centrais sindicais, para o dia 30 de agosto.

 

Confira a pauta unificada de reivindicações:

– Melhoria da qualidade e diminuição do preço dos transportes coletivos: chega de desrespeito à população, mais ônibus e metrôs de qualidade.  

– 10% do PIB para a educação pública: pagamento do piso nacional aos trabalhadores em educação, escola pública de qualidade para todos.  

– 10% do orçamento para a saúde pública: saúde não é mercadoria, chega de filas e mortes nos hospitais públicos.  

– Fim dos leilões das reservas de petróleo: chega de privatização e entrega do patrimônio brasileiro.  

– Fim do fator previdenciário e aumento do valor das aposentadorias: respeito e dignidade para quem construiu esse país.  

– Redução da jornada de trabalho: trabalhar menos para ter qualidade de vida e tempo para a família.  

– Contra o PL 4330: chega de terceirizações e precarização do trabalho.  

– Reforma agrária: terra para quem nela vive e trabalha.  

– Salário igual para trabalho igual: basta de discriminação à mulher no trabalho. 

 

 

Por Lara Tapety / Sindsef-SP 

 

Nota:

A assessoria de comunicação do Sindsef-SP presta solidariedade e apoio ao cartunista Carlos Latuff, diante das inúmeras ameaças que vem recebendo por parte da polícia militar, com destaque para a aquelas feitas pela ROTA. Latuff é referência internacional em ilustrações da luta do povo contra regimes autoritários e sanguinários, contra a exploração e todas as formas opressões. O artista é engajado na defesa do povo palestino, das periferias e das mulheres. Seu comprometimento com as causas sociais é notável. Neste sentido, o Sindsef-SP utiliza com frequência as charges de Carlos Latuff e vai continuar divulgando seu trabalho no contexto das reivindicações dos trabalhadores. O sindicato agradece Latuff por autorizar o uso livre de sua arte.

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