Sufoco nos transportes está ligado à corrupção e falta de prioridade dos governos

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O Ato Contra o Sufoco nos Transportes, realizado na tarde da última quinta-feira, 13/02, chamou atenção para a necessidade de investimento no setor e denunciou que o caos vivenciado por milhares de usuários do metrô tem a ver com o chamado “Propinoduto tucano”.

O “Propinoduto” foi o nome dado ao esquema de corrupção que fraudou licitações para aquisição e reformas de trens, construção e extensão de linhas metro-ferroviárias no Estado de São Paulo, envolvendo as gestões do PSDB de 1994 a 2013, desde o Governo de Fleury (que tinha como vice Aloysio Nunes, acumulando o cargo de secretário dos Transportes Metropolitanos), passando por Mário Covas, Geraldo Alckmin, José Serra e, chegando novamente à Alckmin.

Segundo o Sindicato dos Metroviários, o problema ocorrido na terça-feira, 04/02, na estação República da linha 3 vermelha, teve origem na falha em um trem reformado pela iniciativa privada através do esquema de corrupção. A entidade classista aponta três grandes causas para o sufoco no metrô: a reforma dos trens através das licitações fraudulentas e de péssima qualidade, a falta de investimento e priorização do transporte público e a necessidade da estatização do mesmo.

Para desviar o assunto e fugir dos problemas da frota do “Propinoduto”, o secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, disse à imprensa que “O sindicato tem uma fobia contra essa Série K. Alguma coisa precisa ser explicada talvez até no campo da psicologia”.

Durante o protesto, o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino dos Prazeres respondeu a provocação: “O que o secretário diz que é um ‘problema psicológico’ custou para os cofres públicos R$800 milhões de falcatruas na frota K e causou a falha no trem na semana passada”. Devido à corrupção, milhares de usuários tiveram que entrar na via porque estavam trancados num trem fechado sem ar condicionado com dificuldade para respirar, literalmente sufocados. “Os verdadeiros vândalos são governador do estado de São Paulo e o secretário de transportes, que tentam culpar a população pelo descaso do próprio governo”, disse Altino.

Luiz Carlos Prates (Mancha), da CSP-Conlutas, explicou que o descaso pelo qual passa o transporte público em São Paulo levou aos usuários, em um sufoco maior do que de costume, protagonizar uma revolta, cuja responsabilidade é dos governos. Para Mancha, agora é preciso que a indignação da população se torne um grande movimento para pressionar as autoridades a valorizar os serviços públicos, ao invés de investir milhões na Copa do Mundo, sem contar com o infinito pagamento dos juros e amortizações da dívida pública.

A respeito da falta de investimento e priorização do transporte público na cidade de São Paulo, o protesto denunciou que não há trens suficientes para atender a população e que deveria ser prioridade aumentar o metrô e a ferrovia para ocupar a grande cidade e seus principais bairros, fornecendo alternativas de rotas aos trabalhadores.

As questões mencionadas perpassam pela estatização do transporte, porque somente com o controle estatal é possível priorizar os interesses dos trabalhadores em detrimento ao lucro das empresas. Como exemplo, Altino dos Prazeres citou a linha 4 amarela, do setor privado, que está sendo remunerada como se a tarifa tivesse sofrido reajuste, apesar da luta das jornadas de junho terem impedido o aumento. E, essa mesma lógica de priorizar o lucro dos empresários se reflete nas ações da Prefeitura de São Paulo na periferia, onde os ônibus estão sendo reduzidos.

Quanto à possibilidade de reajuste das tarifas, o integrante do Movimento Passe Livre (MPL), Lucas, deu o recado: “Continuamos nas ruas. E vamos continuar, porque nós queremos parar com essa violência”, falou referindo-se ao aperto que os usuários dos transportes coletivos passam todos os dias, especialmente no horário de pico, enquanto acontecia o Ato.

O MPL defendeu uma gestão pública dos transportes, com a efetiva participação dos usuários e garantiu a unidade de luta com os trabalhadores.  “A gestão deve ser feita por quem está passando pelo sufoco agora na Sé, para voltar para Itaquera, Francisco Morato e Guaianazes, inclusive para onde nem metrô chegou. É com nossa organização, nossa aliança junto com os trabalhadores, que vamos acabar com a humilhação sofrida por todos que passam pela catraca e pelos que não têm dinheiro para passar”.

O Ato Contra o Sufoco nos Transportes foi uma primeira manifestação. As entidades presentes deixaram claro que outros protestos virão cada vez mais fortes, para dobrar o governo, como aconteceu no ano passado.

Além do Sindicato dos Metroviários, que convocou o Ato, da CSP-Conlutas e do MPL, estiveram presentes representantes do Sindsef-SP, Sintrajud, Sindsprev, Sindicatos dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Movimento Mulheres em Luta (MML), Quilombo Raça e Classe, Anel, PSTU, PSOL, entre outros movimentos e entidades.

 

 

 

Por Lara Tapety
Imprensa/Sindsef-SP

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