Suicídios no judiciário alertam para os reflexos dos novos modelos de gestão na saúde do servidor

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Os servidores do Judiciário Federal em São Paulo foram surpreendidos com o suicídio de três colegas de trabalho, dois deles ocorridos nas instalações da  instituição, no curto período de 30 dias.

A trágica notícia é um alerta sobre o reflexo dos novos modelos de gestão na saúde do trabalhador. A falta de condições de trabalho, somada a cobrança para o atingimento de metas e o uso do assédio moral como ferramenta de gestão, tem levado um grande número de servidores ao adoecimento.  No entanto, mesmo com estas evidências, na maioria dos casos, o nexo com o trabalho não é reconhecido.

Durante o ato em homenagem a Amanda Costa, que se suicidou em 13 de outubro dentro do Tribunal Ruy Barbosa, muitos servidores relataram situações de assédio moral e de opressão. Para o Psicólogo e assessor do Sintrajud, Daniel Luca, o suicídio no local de trabalho pode ser uma mensagem de que algo não vai bem naquele ambiente.

“Muitos servidores estão adoecidos, tomando remédio controlado, indo ao psiquiatra. Pode ser que o caso da Amanda seja isolado, mas a gente sabe do dia a dia dos tribunais. Temos que discutir nossas relações de trabalho e aumentar a nossa solidariedade”, comentou o psicólogo e Assessor do Sintrajud, Daniel Luca.

Infelizmente esta situação não é privilégio do judiciário, pois os servidores da  Administração Pública enfrentam situações muito semelhantes. Em alguns órgãos surgem programas de Gestão de Qualidade de Vida no Trabalho, com o objetivo de estimular a adoção de práticas que valorizem a saúde do trabalhador nos locais de trabalho.

Porém, estes programas ignoram os problemas existentes no ambiente de trabalho e que levam ao adoecimento funcional. A conquista de um cargo público ainda é uma vitória para o cidadão, já que oferece uma relativa estabilidade financeira. Porém, logo o servidor se depara com uma brutal realidade: o desmonte dos órgãos (instalações, mobiliário e recursos tecnológicos inadequados), o número reduzido de servidor e consequentemente uma intensa carga de trabalho, a desvalorização do servidor e a falta de critérios para as metas estabelecidas.

O que aconteceu no judiciário poderia ter acontecido em qualquer outro órgão do Executivo. A luta por melhores condições de trabalho e pelo fim do Assédio moral deve seguir entre as principais bandeiras dos Servidores Públicos Federais em 2015. As situação não pode continuar como esta, pois muitas vidas estão em jogo!

 

 

Fontes:

Sintrajud

Psicologia: Teoria e Pesquisa (Gestão de Qualidade de Vida no Trabalho no Serviço Público Federal: O Descompasso entre Problemas e Práticas Gerenciais)

 

 

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